CAPÍTULO 39 KELVIN NARRANDO Ver o Sombra subindo meu morro foi tipo ver o passado bater na porta com cara de cobrança. A cadeira de rodas dele riscando o chão, o olhar reto, sem emoção, como se cada movimento calculado dele carregasse uma ameaça silenciosa. E carregava. Porque esse cara… ele não se move à toa. Encostei no encosto da cadeira, dei uma tragada no baseado e joguei a fumaça pro alto, sem pressa. Os dois segurança na porta só observando, a mão sempre pronta. O motorista dele não desgrudava, atento, com cara de quem já matou por muito menos. — c*****o… se não é o Sombra em carne, osso e roda — soltei com ironia, mas o respeito tava embutido na fala. Porque lenda é lenda. — Fala aí, lenda. Que milagre tu por aqui? Ele não sorriu. Não desfez. — Milagre nenhum — respondeu, sec

