CAPÍTULO 122 MACONHA NARRANDO A fumaça subia lenta, carregada de sangue e pólvora. O céu escuro parecia ainda mais pesado com o cheiro de morte misturado ao do baseado que eu tragava devagar. Tava no alto do morro, encostado na grade de contenção, olhando os corpo tudo sendo arrastado e empilhado pelos vapores. — Queima tudo — falei baixo, sem tirar o olhar da pilha de carne morta. Os moleque obedeceram sem questionar. Jogaram gasolina, arrumaram o espaço e acenderam o fogo como se tivessem fazendo um churrasco de domingo. Só que ali… o cardápio era traidor. O estalo da carne esturricando foi ecoando no silêncio da madrugada. Um dos vapor se benzeu. Outro virou o rosto. Mas eu continuei ali, firme, tragando mais uma vez o beck e soltando a fumaça bem devagar, vendo ela se misturar com

