CAPÍTULO 62 SOMBRA NARRANDO O baile ficou pra trás. O som ainda batia alto, a quebrada vibrando, mas minha mente já não tá mais ali. Eu tá no carro, no lado dela, com o vidro fechado e o silêncio pesado cortando o ar. A doutora dirigia, concentrada na rua, mas eu sabia. Sentia. A cabeça dela tá igual a minha: bagunçada. Eu encostado no banco, com os olhos nela. Cada movimento, cada respiração, cada vez que ela mordia o canto da boca. E eu? Tava segurando. Tentando. Porque se eu deixasse, puxava ela ali mesmo pro meu colo de novo. Chegamos na minha casa. Um dos menor já abriu o portão assim que viu o carro. Ela estacionou certinho, desligou o motor e respirou fundo, como se estivesse preparando o próprio corpo pra algo. Desci do carro sozinho, mesmo com ela querendo ajudar. Vi no olh

