CAPÍTULO 133 PAULA NARRANDO Eu ouvi tudo. Cada palavra. Tava deitada na cama, cabelo ainda úmido do banho, travesseiro molhado de tanto choro… e coração esfarelado. Quando escutei a moto, já soube que era ele. O barulho, o jeito que ele acelera e depois corta o motor… eu conheço. Reconheço de longe. Até de olhos fechados. Mas não levantei. Fiquei ali… imóvel. Fingindo que não era comigo. Aí escutei a voz. — Ô, Paulinha... abre aí, vida… vamo trocar uma ideia. Meus olhos encheram de novo. Porque só dele me chamar de "vida" já fazia o peito apertar. Mas eu continuei quieta. Esperando. Com medo de ceder. Com raiva de gostar tanto. E com mais raiva ainda de sentir falta. Quando ouvi a porta abrindo, já sabia que era minha madrinha indo atender. Ela nunca gostou dele. Sempre teve um p

