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Clara. Passei a manhã com o Bruno no morro, almoçamos juntos e depois fui para a associação falar com a Valesca, na hora que cheguei ela estava ocupada, estava tendo algumas aulas e as crianças ali se divertindo, fiquei observando, ver o sorriso deles era a coisa mais gostosa de se ver nesse mundo, tinham uma pureza enorme no olhar, a pureza que Bruno nunca vai poder ter novamente. Me pegar pensando nisso, faz eu pensar em todo o resto, toda a minha vida, meu futuro, será que eu quero mesmo isso? Será que meu pai não está certo? Como eu vou poder ter uma vida tranquila com alguém que esta sempre em perigo, sempre em confronto, isso quando os confrontos não são com eles mesmo. - Clara. - A voz feminina me tirou dos meus pensamentos, olhei para Valesca que estava magnífica com seus cabelos perfeitamente arrumados, e vestia uma calça pantalona que caia muito bem sobre o corpo dela, com uma regata colada no corpo e moldando os pequenos s***s dela e a cintura bem definida. - Desculpa, tudo bem? - Me levantei estendendo a mão pra ela que retribuiu. - Bruno disse que eu poderia vim. - Sim, ele me avisou, vamos até a sala. - Ela estendeu o braço me guiando até a sala dela, fomos andando com passos curtos, a sala era bem próxima, entramos e ela fechou a porta atrás de nós. - Eu não quero tomar muito do seu tempo, eu só vim te trazer algumas das minhas ideias. - Peguei a pasta na bolsa tirando de dentro dela alguns papeis, um deles com as ideias listadas e no outro o orçamento e o quanto vou ajudar por mês. 1. Projetos e Atividades Dança: Aulas de Funk, Hip Hop e Dança de Rua – Para crianças e adolescentes, ensinando coreografias e expressão corporal. Ballet Comunitário – Para crianças pequenas, incentivando disciplina e postura. Grupo de Dança Cultural – Mistura de estilos, incluindo samba e danças regionais, para apresentações dentro e fora da comunidade. Música: Oficinas de Percussão – Uso de tambores, caixas e instrumentos reciclados para ensinar ritmos brasileiros. Aulas de Violão e Canto – Para crianças e jovens que querem aprender teoria musical e técnica vocal. Produção Musical Comunitária – Estúdio pequeno para que jovens possam gravar suas músicas e aprender sobre mixagem. Atividades para Crianças: Brinquedoteca Musical – Espaço com jogos educativos e instrumentos infantis. Contação de Histórias e Música – Mistura de literatura e música para incentivar a leitura. Fazendo Arte – Oficinas de desenho e pintura com inspiração musical e dançante. 2. Demonstrativo de Gastos  3. Valor Doado por Você Doação Fixa Mensal: R$ 8.000,00 Captação Extra: A associação pode buscar parcerias e eventos para cobrir o restante. - Ai no caso de professor de dança, eu não quero receber, posso dar as aulas de graça, agora o de música fica por sua conta, e se conseguirmos mais econômias com algo, podemos fazer eventos todos os meses e competições. - Fui soltando tudo sem deixar ela falar nada, estava tão empolgada com aquilo. - Olha, incrível, o Rei, ja nos faz uma doação todos os meses, e com essa sua nossa, acho que podemos até mesmo fazer doações para as famílias que mais precisam aqui. - Ela disse sorrindo e olhando para os papeis. - Olha esse é meu contato. - Peguei um papel sobre a mesa dela e a caneta e anotei meu número. - Me liga se tiver de acordo, sei que você precisa falar com o Bruno primeiro. - Claro, sim. - Ela disse pegando o papel e se levantou junto comigo. - Vou falar com sle sim. - Bom, então vou indo. - Sorri saindo da sala dela, Valesca ficou tão surpresa que nem eu acreditei, sai dali vendo as crianças ainda brincando no meio do pátio. Sai do prédio que ficava no meio do morro e entre alguns becos, e eu perdida ali, não sabia qual caminho seguir, então deixei a minha intuição me guiar. Fui andando percebendo que estava ficando mais vazio e muito mais estreito a passagem entre os becos, até que sai de um e dei de cara com a Yasmin, que estava sozinha, ela sorriu me encarando. - Perdida meu anjo? - Ela perguntou me olhando de cima a baixo. - Bruno não devia te deixar solta por aqui. - Sem tempo Yasmin. - Falei tentando passar por ela que se colocou na minha frente. - Licença. - Quando você vai entender que aqui não é lugar pra você? - Respirei fundo e ela insistiu. - Cade seu namorado? Caio o nome dele né? Alias uma delícia, aquele dia que você veio aqui pela primeira vez, ela me comeu dentro do seu carro. Ela mordeu o lábio e rindo cruzou os braços, respirei fundo novamente e cruzei os braços a encara do também, ela quer muito brigar, será que essa mulher vive disso? Não é possível que ela não tenha nada pra fazer. - Por mim você pode dar pra ele agora, até porque não sou nada dele, aliás Yasmin, enquanto você estava dando pra ele no meu carro, eu estava dando pro Bruno no fundo da quadra e ele gemeu falando que nunca comeu alguém tão gostoso, quanto eu. Ela bufou e fechou a cara de deboche na hora, ficamos nos encarando e ela ameaçou vim pra cima e fiquei ainda parada sem demonstrar nada a ela, o que fez ela ficar com mais raiva. - Eu não vou abaixar a guarda pra você, não sei qual o tipo de mulher você encontra aqui, mas eu não sou nenhuma delas. - Cheguei mais perto dela colocando o dedo na cara dela. - Abaixa a tua bola, do mesmo jeito que você vai me enfrentar, eu vou também, e vai ter que me aturar. Ela empurrou minha mão e em seguida me empurrou fazendo eu dar passos para trás, consegui me equilibrar, mas senti duas mãos me segurando, virei o rosto e vi uma menina morena que na hora puxou meus dois braços para trás, Yasmin começou a rir. - Repete, eu vou o que? - Ela sorriu e deu o primeiro tapa no meu rosto, e em seguida mais um e outro até que senti o gosto de sangue no canto da minha boca. - Você é só mais uma p*****a que ele vai comer e jogar fora. - Deixa de ser covarde. - Falei tentando me soltar, ela se inclinou me encarando e apertou meu rosto com uma das mãos. - O Bruno é meu homem. - Ela apertou meu pescoço apertando a unha nele me arranhando, e minha única reação foi dar uma cabeçada nela que a fez tampar o nariz. - Vagabunda. Antes que ela conseguisse me dar mais um tapa a voz dele ecoou no beco e a menina que estava me segurando, me soltou e correu, me segurei na parede ficando em pé, olhei para frente e Bruno estava segurando a mão de Yasmin. - Mete o pé daqui Yasmin, antes que eu esqueça que você é a mãe do meu pivete e te quebre aqui mesmo na porrada. - Ela colocou a mão no peito dele e ele empurrou ela. - VAI c*****o. - Não acabou. - Ela disse passando por mim e eu ri dela, me ajeitei e passei o dedo na boca vendo o sangue e sentindo meu lábio arder, Bruno me encarou. Estendi a mão para ele parar e ficamos nos olhando, respirei fundo e sai andando na frente dele que me seguiu e eu só percebi pelos passos atrás de mim. Sai do meio dos becos e caminhei para a quadra onde tinha um banheiro, entrei na mesma e fui até a porta do banheiro onde Bruno me segurou e me puxou. - O que foi? - Ele disse me encarando.
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