Feliz aniversário - parte três

2447 Words
Quando os minutos passam e todos já parecem voltar ao seu normal, vejo-os irem até à pista de dança enquanto eu prefiro continuar paradinho onde estou. É estranho porque eu sinto um leve arrepio quando bebo o último gole da minha cerveja e sinto todos os meus pelinhos eriçarem. Tenho a sensação de que estou sendo observado, e ela não é nova. É um saco porque é sempre assim, até mesmo quando estou na rua. Me sinto estranho de andar sozinho porque sempre parece que as pessoas ao redor estão com o indicador apontado para o meu rosto, ditando todos os meus erros e imperfeições, mas sei que tudo é fruto da minha mente e isso me deixa de saco cheio. Só queria que parasse. Às vezes sinto vontade de me libertar, me soltar um pouco como vejo meus amigos se soltarem em ambientes públicos, mas daí essa sensação sempre aparece, e tudo fica retraído dentro de mim. Porém, com essa sensação tão forte em mim, decido olhar ao redor, e é então que percebo uma mulher de cabelos loiros me olhando, e quando nossos olhares se esbarram, ela dá uma piscadinha e eu me sinto tremer. Automaticamente fico nervoso. E por dois pontos. O primeiro é que eu não sei flertar. Na minha vida todinha, flertei com o total de zero pessoas, e até quando fui perder a virgindade com minha prima ㅡ num jantar de natal que tivemos na casa de uma tia em Busan ㅡ eu não consegui falar nadinha. Daí você deve estar pensando: Mas como esse doido conseguiu chegar até a parte que foi t*****r, certo? Foi simples. Minha prima chegou até mim, enquanto eu estava tomando um tantinho de vinho escondido do meu pai, e falou: Quer f********o? E eu apenas assenti, mesmo sem ter certeza se queria mesmo. Mas se ela estava querendo t*****r comigo era porque gostava de mim, certo? Ao menos foi o que eu pensei naquela hora. E não foi tão complicado, na verdade. No começo ela me beijou e meu p*u até subiu maneiro. O problema foi somente minha inexperiência completa. Eu não sabia onde pôr a mão ou sequer falar sacanagens para criar um clima. Eu apenas fiquei lá, paradão e deixei minha prima fazer o que quisesse. E para meu nervosismo não me atrapalhar mais, eu tentei não olhar para o rosto dela. Foi estranho. Talvez esse tenha sido realmente o maior dos problemas. Eu não conseguia focar no rosto dela, e nem nos s***s ou nos gemidos. Tudo me deixa nervoso e com vontade de fugir dali. O que rolou no fim foi que ela fingiu que tinha chegado ao seu ápice e foi embora. Eu sabia que era fingimento porque ela sequer me deu um beijinho depois ou me deu tchau. Sequer se importou com o meu p*u sem reações. E até hoje ela nunca mais falou comigo. Mas foi a partir desse dia que comecei a me perguntar se gostava de mulheres, porque eu nunca senti aquilo que dizem que sentimos quando nos atraímos por alguém, mas então eu penso: meu p*u ficou duro, deve significar algo, não é? E então eu me perco nos meus pensamentos de um homem praticamente virgem, sem experiências e certezas. E talvez eu realmente seja gay. Nunca fiquei com nenhum homem, ou sequer introduzi o p*u rosa que tenho na gaveta onde você deveria, mas também nunca me senti na obrigação de fazer essa descoberta. Pelo menos não ainda. Eu vejo como apenas uma coisa relativa, um detalhe no qual minha vida parada e sem emoção eu não tenho pressa de descobrir ainda. Mas ok, vamos voltar a garota loira que não para de me encarar. O primeiro ponto já foi dado. Eu não sei flertar. O segundo é um pouco mais complicado. Eu não tenho vontade de flertar com ela. Eu somente fiquei nervoso porque eu percebo que com o sorrisinho que ela deu ao perceber meu olhar, ela vai se aproximando mais e mais de mim, e o meu desespero aumenta tanto, que, sem pensar, eu puxo a mão da primeira pessoa que está perto, e corro dali. A vítima da vez? Rini, por sorte. Imagina se é um desconhecido? Ela caminha comigo sem perguntar nadinha, mas seu olhar claramente indaga o que caralhos estou fazendo. Quando paro, enfim respirando fundo, ela continua me encarando. ㅡ vai me explicar o que aconteceu agora, ou antes, quer um socão por me puxar justamente na hora em que eu estava flertando com a minha namorada que está como uma deusa dançando naquela pista de dança? ㅡ Desculpa. ㅡ coço minha nuca, me sentindo um tanto constrangido, mas olho adiante. ㅡ eu só estava desesperado. A garota ainda está me olhando, mas parece desistir ao me ver com Rini, então retorna para onde estava. Ufa. ㅡ Desesperado? ㅡ ouço Rini perguntar. ㅡ Tinha uma garota flertando comigo e ela estava andando na minha direção. Eu fiquei desnorteado! Rini semicerrou os olhos, como se estivesse me analisando. ㅡ Vamos ao bar, quero comprar cigarros. ㅡ diz, já me puxando. ㅡ Isso mata! ㅡ falo. ㅡ você vai morrer se continuar fumando! ㅡ Ah, Jaejun, todo mundo vai morrer um dia. ㅡ revira os olhos. ㅡ mas me diz, porque você fugiu da garota, não gostou dela? ㅡ Não sei. ㅡ sou verdadeiro. ㅡ só senti vontade de correr. ㅡ sorrio. ㅡ Você vai continuar virgem se continuar fugindo assim. Neguei, vendo-a pedir a carteira de seu cigarro favorito. Se eu pudesse, eu pegava aquilo e jogava no chão, pisava e estragava todinho. Mas Rini tem um soco muito forte, já senti e não quero senti-lo outra vez. Eu já a avisei que faz m*l, na embalagem daquilo tem tudo de r**m que ele causa, mas se ela continua, é porque sabe o que faz com a própria saúde, não posso proibi-la. Ela pergunta se eu quero beber e assinto, pedindo mais uma cerveja gostosinha, e óbvio, ela quem paga. Quando retornamos à mesa, eu bufo, notando como é complicado ser como todos os outros. Digo, eles flertam, se beijam e eu fujo... Mantenho-me pensativo, enquanto degusto a cerveja. Mas vejo Jackson se aproximar e ouço sua voz quando diz: ㅡ Tem um belo p*u te observando. Franzo o cenho de imediato. ㅡ O quê? p*u? Ele ri negando enquanto me encara, mas aponta disfarçadamente para o outro lado da boate. Novamente vejo Kim Hanguk, mas ele encara o redor com certa impaciência em sua feição. Olho para o moreno ao seu lado e ele está olhando em nossa direção, mas analisando bem, fito Taeshin e vejo-o morder o canudo que tem entre os lábios, notoriamente flertando com ele. ㅡ É pro Taeshin. ㅡ aviso. ㅡ Não estou falando do Jung. Estou falando do Park. Park Hyun-Suk. Outra vez olho naquela direção e engulo em seco quando noto o modo em como o tal Park me encara, sem sequer piscar. Minha nossa senhora. ㅡ Minha nossa... ㅡ sussurro realmente desacreditado. Desacreditado ainda mais por estar me sentindo... Estranho? Digo, meu corpo não está travado. Ao contrário, eu viro-me de frente, incapaz de parar de olhá-lo. ㅡ Gostou né? ㅡ é Yejun quem pergunta. Ouço meus outros amigos rirem baixo, mas minha nossa senhora, eu realmente não consigo nem desviar o olhar para pedir que parem. ㅡ Eu vou pegar o moreno ㅡ Taeshin anunciou ao lado. ㅡ vou me acabar de f***r com ele. ㅡ Você deveria ser só mais um pouquinho menos transparente. ㅡ Yejun olhou-o, fazendo-o rir. ㅡ Me desculpa, é que ele é muito gostoso e está me dando mole. ㅡ O Jung é bonitinho, mas não é tudo isso, Taeshin. ㅡ Jack diz. ㅡ o Kim é mais gostoso. ㅡ Ah pronto. ㅡ Yejun revira os olhos. ㅡ Seu gosto é como o seu cu, pertence apenas a você. ㅡ Taeshin rebate Jack e eu até rio, desviando, enfim, o olhar. ㅡ Eu gostei dele. Tento não ser óbvio e até bebo um pouco mais de cerveja, mas vago meu olhar ㅡ como quem não quer nada ㅡ, e volto a fitar o loiro. Ele é intimidador, mas continua me olhando e dessa vez até sorri. Pergunto-me outra vez: porque não quero fugir? Meus amigos continuam com suas bobagens, e até vejo-os fazerem uma competição boba sobre quem consegue beber mais rápido uma dose pura de vodca. Vejo Rini abraçar Minah pela cintura e seguir para a pista de dança com Jackson e Taeshin. Yejun continua comigo e está bebendo sua cervejinha amarga e muito r**m, e é só depois de um gole longo, que ouço-o suspirar alto. Eu o olho e vejo que ele observa Jackson dançar. ㅡ Porque não o chama para dançar? ㅡ atrevo-me a perguntar. Não é bom ver que ambos se querem e ficam somente aos suspiros, se observando ao longe. Ele desvia a atenção para mim, e depois de alguns segundos, volta a olhar para Jackson de novo. ㅡ Eu preciso parar de gostar dele. ㅡ fala. ㅡ Jackson claramente não gosta de mim assim, mas veja só, eu sou patético... Fico observando ele de longe, e fico com ciúmes porque ele está dando mole pro ricaço. ㅡ Yejun, o Jack é caidinho por você. ㅡ Claro que não, Jae. Ele nem me olha direito, eu acho que... você sabe, não somos compatíveis. ㅡ Você nem ouse dizer que é porque não tem um p*u que eu bato em você! ㅡ ameaço, parando de frente com ele. ㅡ você sabe muito bem que ele não se importa com isso. ㅡ É o que ele diz, mas você acha mesmo que ele iria querer ficar comigo? ㅡ Claro que sim, e se for sobre sexo, há formas de você ser ativo também, todo mundo sai feliz no fim. Yejun ri alto, enquanto eu franzo o cenho mais uma vez. ㅡ Você fala muito palavrão quando está bebendo, sabia? ㅡ Não desvia o foco da conversa. ㅡ faço bico, cerrando os olhos. ㅡ se você continuar assim, só se lamentando, ele vai acabar ficando com o ricaço lá mesmo. Mas ele não gosta do ricaço. ㅡ arqueio a sobrancelha, cruzando os braços. ㅡ Desculpa só me lamentar assim. ㅡ fala, abaixando a cabeça. Desfaço a marra e suspiro. ㅡ Ele gosta mesmo de você, e oh, estou falando com certeza, viu. ㅡ sorrio ㅡ Sei... talvez eu fale com ele mais tarde, mas só se ele não for para outro lugar com o altão, né? Eu apenas n**o e volto a beber minha cervejinha. Não tem como incentivar quem é teimoso assim. Ao menos eu tentei. No momento está tocando uma música na qual sequer sei o nome, mas meus amigos estão bastante animados no centro. Vejo o tal Jung se aproximar, e sem palavras, apenas sorri e se encaixa a Taeshin. Ambos se encaram, tocando sorrisos que dizem muito. Taeshin umedece os lábios antes de simplesmente cair aos beijos com o outro. Arregalo meus olhos. Como assim é tão fácil? Ao menos é como fizeram parecer. E eles continuam no amasso e os outros sequer parecem se importar, porque somente continuam a dançar. ㅡ Taeshin é prático, eu gosto disso. ㅡ é o que Yejun diz. ㅡ queria ser assim também... ㅡ É só ser, Yejun. ㅡ eu tento encorajá-lo outra vez, mas nem adianta de nada, porque Yejun apenas maneia com a cabeça e permanece no mesmo lugar. ㅡ Estou com medo. ㅡ ouço-o admitir. ㅡ Medo do quê? ㅡ De levar um não na cara e ainda o ver agarrando com o tal Kim. Eu rio sem querer. O jeito que Yejun fala, totalmente emburrado e caidinho pelo Jack é uma graça. A noite ainda segue sem uma ordem correta. Eu, por fim, sou vencido por meus amigos que me puxam até o centro da pista, e talvez beber minha cervejinha tenha me ajudado a me soltar também. Eu danço e sorrio ao som de Thief, uma das minhas músicas favoritas. Meus amigos estão ao redor, mas o clima que a música deixa no ar é tão intenso, que apenas fecho meus olhos e sinto a música, erguendo meus braços devagar no ritmo das batidas, envolvendo-me e vencendo a timidez, libertando a vontade incessante de me sentir eu mesmo, ao menos um pouco enquanto estou cercado dos que posso confiar. Quando volto a abrir os olhos, suspirando com o quão bom é a sensação, percebo meus amigos em seus grupos. Taeshin ainda está dançando e beijando o Jung. Yejun sorri contido e abraça sutilmente Jackson pela cintura quando ambos se beijam apaixonadamente. Rini e Minah também dançam juntas, e é só então eu percebo que sou o único sem um par, que está sozinho no meio de todos. Isso me faz ficar um pouco triste. E não, isso não é um problema verdadeiro, ok? Já estou meio que acostumado a não ter meu par, mas poxa, bem que o universo poderia me mandar uma boquinha para eu beijar hoje, não acham? E uma que eu não corresse ou entrasse em pânico... porque estou farto. Quando vejo Taeshin sorrir para o tal homem que fala algo em seu ouvido, sei que se trata de alguma p*****a. Ele segura a mão do Jung e passa por mim, indo em direção a saída que dá para o estacionamento. E eu continuo aqui, sozinho... Olho ao redor ainda com a sensação de ser observado. Eu sei quem me olha, não sou bobo. Levo meu olhar para o tal Park e percebo que sim, é ele quem me olha, apenas bebericando alguma bebida. Mas seu olhar não dura muito. Ele desvia para um grupo de pessoas e se ergue para falar com um homem que talvez tenha a minha idade e que acaba de entrar. Suspiro. Ele foi só mais um que se cansou de mim antes mesmo que eu pudesse fazê-lo se cansar. Tudo normal. E não que eu tivesse criando algum interesse nele, não é nada disso. Eu apenas queria que ele realmente me olhasse... Ser observado por alguém com um olhar de desejo como era o dele, faz bem para a autoestima às vezes, sabe? Eu caminho de volta à mesa, agora sozinho, e percebo que preciso de mais uma cerveja. Busco alguns trocados que encontro no fundo do bolso da calça que visto e conto. Percebo o nível do meu fracasso quando no dia do meu próprio aniversário, eu não tenho nem sequer o dinheiro da minha própria cerveja. Olho ao redor e vejo Minah se aproximar junto a namorada. Sou rápido em guardar as moedinhas que tenho e sorrio, quando ambas pararam ao meu lado.
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