Capítulo 2

1578 Words
Paola — Não… não… não pode ser, isso só pode ser piada, eu não acredito que me preparei tanto para esse dia e vai acabar assim, comigo presa no elevador. — Estou em pânico, andando de um lado para o outro. Encosto na parede e vou escorregando com as mãos tapando os olhos, quando sinto mãos grandes me segurando. — Cuidado moça, tenha calma — escuto a voz grossa, havia esquecido totalmente do homem que estava aqui comigo — Vou ligar para alguém e avisar. Droga! Está sem sinal. Olho para cima, por o homem ser bem uns dez centímetros mais alto do que eu. E olha que não sou nenhuma baixinha, tenho um metro e setenta e estou de salto. O que vejo me deixa desconcertada. Um par de olhos tão negros parecendo ônix, uma barba espessa, muito bem feita, cabelos revoltos de um preto muito brilhante. Deu vontade de tocar para ver se são tão macios quanto estou imaginando, ele parece um galã de novela turca. Fico uns bons segundos olhando aquele ser lindo atônita. — Moça, você está bem? — Pergunta, me dando uma leve chacoalhada, nossa, o perfume dele é divino, deveria ser proibido alguém ser tão cheiroso. Como deve ser encostar o nariz no seu pescoço e aspirar direto da fonte? Balanço a cabeça para sair do meu devaneio. p***a, eu nunca fico deslumbrada por homem nenhum, pelo menos não na frente deles. — Sim… quer dizer não, não estou bem — falo lembrando o que está acontecendo e me desesperando novamente, ele recua um passo, provavelmente achando que sou louca. Começo a falar sem parar, como sempre faço, quando fico nervosa. — Tenho uma entrevista de emprego, me preparei com muita antecedência, estava no horário, e agora acontece isso. A senhora que me ligou disse que aqui não se toleram atrasos — falo, recomeçando a andar de um lado para outro. — Preciso tanto desse emprego, é a chance do meu pai se aposentar. De poder alugar uma casa e não viver mais nas dependências do colégio. — Começo a divagar, esquecendo-me novamente do homem que está aqui comigo. — E agora, vou chegar atrasada, saí com duas horas de antecedência de casa, para no fim, ficar presa no elevador com um galã de novela turca! — Vou falando tudo de uma vez, porque quando fico nervosa, meu filtro entre o cérebro e a boca fica esquecido. — Moça — fala um pouco mais alto, me assustando. — É só avisar que você teve um problema com o elevador, aposto que conseguirá fazer sua entrevista — dou uma risada, parece mais um grasnar, e ele me olha parecendo espantado. — O senhor não entende, esse aqui é um escritório turco — grito e ele dá um passo para trás — O mais conceituado em diversos países. Seria um sonho conseguir trabalhar aqui, muito dos meus problemas seriam resolvidos com o salário de secretária executiva que eles pagam — falo atropelando tudo — Fora a experiência maravilhosa! — Exclamo, sonhando em conhecer a Turquia. Olho para ele que está me olhando com tanta intensidade que fico envergonhada, afinal nem conheço esse homem, e estou falando mais do que devia. Encosto em um canto, me sentindo derrotada enquanto os minutos vão passando. Gostaria que um buraco se abrisse e eu desaparecesse. Nenhum de nós fala nada, fica um silêncio incômodo. Começo a bater o pé lentamente, contando as batidas, para ter algo em que me concentrar, que não seja esse homem lindo. Nunca saberia puxar uma conversa, com alguém como ele, ou melhor, alguém como ele, nunca se interessaria em conversar com alguém como eu. — Tem alguém aí — escuto uma voz, saindo dos alto-falantes. — Sim! Estamos aqui! — Grito desesperada. O homem vem para perto de mim e num momento de loucura acho que ele vai me agarrar, mas para minha total surpresa, não fico com medo e sim ansiosa. — Tem, sim, estamos eu e uma moça presos aqui — ele fala com sua voz rouca, e percebo que ele só veio perto de mim, para apertar o botão do painel, que eu no desespero me esqueci completamente. Que vergonha! — Certo, senhor, já estamos trabalhando para resolver o problema, logo estarão livres — o homem fala me dando esperanças de conseguir realizar minha entrevista. — Tem que apertar para ele te escutar — me explica como se eu fosse alguma criança, foi só um minuto de distração e desespero. — Obrigada! — Agradeço, mas com um tantinho de ironia que o faz arquear a sobrancelha perfeita dele. Volto para o canto e decido ignorá-lo novamente, e ele faz o mesmo comigo. E exatamente nove e meia, o elevador, como que por mágica, acende as luzes e volta a subir, como se nada tivesse acontecido. Agora que eu já estava meia hora atrasada, ia tentar realizar a entrevista. Chego ao andar da entrevista e antes de sair me despeço do homem mais lindo que já vi pessoalmente. Ele apenas balança a cabeça quando murmuro um tchau, é realmente arrogante. Apesar de eu ter contado todas as minhas frustrações em relação a estar presa, ele quase não disse nada. Gostaria de ter um autocontrole assim. Avisto a recepcionista, respiro fundo e vou até ela. Estou apreensiva pelo atraso, mas já que estou aqui, vou pelo menos tentar. — Bom dia, eu vim para a entrevista de Secretária Executiva Junior — falo torcendo para não perceber o quanto estou atrasada. — Qual seu nome? — Ela pergunta, me olhando com desprezo, devo estar toda bagunçada, deveria ter conferido minha aparência no espelho. — Paola Martinelli. — Ah, sua entrevista estava marcada para nove horas, agora são nove e meia, as outras duas candidatas já passaram na sua frente — fala com ar de deboche. Não gostei dela. — Eu sei, tive um problema com o elevador. Ficou mais de meia hora parado. Eu estava adiantada — ela arqueia uma sobrancelha para mim. — Desculpe senhorita Paola, infelizmente aqui nessa empresa, não toleramos atrasos. A pessoa que está fazendo as entrevistas, tem um tempo muito contado, infelizmente ela não poderá te atender. Ficaremos com o seu currículo, se surgir uma nova oportunidade, entraremos em contato. — Já nem escuto direito o que ela fala, agradeço e volto para o elevador, totalmente arrasada. Dessa vez essa caixa de metal do m*l, funciona direitinho, parece até que está debochando de mim, começo a chorar. Perdi minha chance. Não pude nem tentar, isso é muito injusto — mas quando a vida foi justa com você? — meu subconsciente me lembra. Entrego o crachá para a recepcionista que me olha com pena, vendo minhas lágrimas sendo derramadas. Sento na mesma praça, do outro lado da rua. Fico olhando para o edifício, choro mais um pouco. Ainda não estou pronta para ir para casa. Olho no relógio, já são dez e meia, me levanto para ir e meu celular toca, um número desconhecido, atendo, porque com tantos currículos que entreguei, pode ser alguma entrevista. — Senhorita Paola Martinelli? — Definitivamente é uma entrevista. — Sim, em que posso ajudar? — Minha voz sai um pouco fanha devido ao choro. — Sou Alana responsável pelo RH do grupo Alkan. A senhorita tinha uma entrevista de emprego aqui conosco, mas teve um problema e se atrasou correto? — Meu coração dá um duplo mortal carpado. — Sim, correto, a moça que estava na recepção me disse que eu não poderia mais realizar a entrevista — falo um pouco rancorosa. — Realmente, não toleramos atraso, mas no seu caso, abriremos uma exceção. A senhorita consegue… voltar agora? Na verdade, estaria me fazendo um grande favor, voltando. Eu poderia implorar para voltar — fala, me deixando muito confusa. — Sim, na verdade, estou bem próxima ainda, posso chegar em quinze minutos. — Usarei esse tempo para ajeitar minha cara, que deve estar péssima. — Ai, graças a Deus, muito obrigada! — Não estou entendendo essa comoção dela — Tem mais uma coisa, o próprio senhor Alkan irá te entrevistar — fico em choque, pelo nome serei entrevistada pelo dono? Quinze minutos depois, estou subindo novamente na caixa do m*l, agora diretamente para o vigésimo sétimo andar. Onde fica a presidência. Minhas pernas tremem tanto, não estou entendendo nada, meu coração parece uma bateria de escola de samba. — Com licença, eu sou a Paola Martinelli, tenho uma entrevista com o senhor Alkan — falo para uma senhora que está na recepção com cara de simpática. — Ah, sim, senhorita Paola, ele está te aguardando, vou anunciá-la — pega o telefone, fala que estou aqui e logo desliga. — Pode entrar — fala toda sorridente. — Posso te fazer uma perguntar? — Ela assente — O que devo esperar dessa entrevista? — Só coisas boas, minha filha, pode ter certeza — sorri como se fosse uma avó sorrindo para neta, assinto, sorrio e me encaminho para porta. Dou duas batidas e olho para a senhora que me incentiva a entrar. — Com licença, senhor Alkan — ele está de costas, mas assim que se vira, para minha mais absoluta surpresa, é meu galã turco do elevador. — Que bom que conseguiram te contatar, senão algumas pessoas seriam demitidas hoje — fala com aquela voz rouca e sexy. Fico parada, com os olhos arregalados e segurando minha bolsa como se fosse um bote salva-vidas. — Sente-se senhorita Paola, tenho uma proposta para te fazer.
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