Capítulo 4

1003 Words
Paola Ele aponta a cadeira em frente a sua mesa e pede-me para sentar. Minhas pernas estão trêmulas enquanto caminho cautelosamente para me sentar, sentindo que a qualquer momento eu possa cair desmaiada. Como pude não associar o galã turco com o escritório turco? Acho que eu estava muito nervosa para ligar os pontos. — Senhorita Paola, chamo-me Osman Alkan, sou o CEO do Grupo Alkan no Brasil. Percebi que não me reconheceu no elevador e achei melhor assim. — Melhor não contar que não fazia ideia de como era a aparência do CEO do grupo Alkan — mas depois da injustiça com a qual foi tratada na minha empresa, peço desculpas pessoalmente — como assim pede desculpas? — Senhor Alkan, me desculpe — agora estou fervilhando de raiva e não consigo refrear o mau gênio — mas o senhor me chamou aqui apenas para se desculpar? Porque se foi isso não precisava me fazer vir até aqui — Acho que percebo a sombra de um sorriso, mas não tenho certeza. — Não, senhorita, eu a chamei aqui para te fazer uma proposta de emprego — emprego? Meu coração erra uma batida — será um período de teste — continua e eu me seguro para não surtar na frente dele — A senhora Mirtes, minha secretária, irá te treinar durante três meses. Caso passe no teste dela, ela se aposentará e você irá assumir o cargo de Secretária Executiva Sênior — acho que meu cérebro sofreu uma pane agora. — E… eu… Alkan… Sênior — não consigo formar uma frase coerente, respiro fundo, tentando me acalmar e ativar meu cérebro novamente, e olho em seus olhos. — Muito obrigada, senhor Alkan, o senhor não irá se arrepender, farei o meu melhor — falo com minha melhor pose de profissional. — Espero realmente não me arrepender senhorita Paola — é bem direto e reto, assim será mais fácil lidar com ele — Agora você pode ir até o RH para providenciarem o seu contrato de experiência, te vejo amanhã — estende a mão, em despedida. — Obrigada novamente, até amanhã — pego sua mão retribuindo o cumprimento, e um pequeno choque percorre meu braço, retiro-a rapidamente. O vejo olhando para nossas mãos com a testa enrugada. Viro as costas e saio rapidamente. É só a adrenalina do momento. Saio da sala, me segurando para não saltitar. A senhora Mirtes está com um sorriso enorme. — Eu consegui senhora Mirtes, estou tão feliz, hoje meu dia passou de alegre para triste, e de triste para muito feliz, rapidamente — sorrio tanto que meu rosto está até doendo. — Eu também estou muito feliz menina. Você será minha carta de alforria — diz e nós duas gargalhamos. — Vamos nos dar muito bem. Vou te ensinar tudo e cair fora em três meses — fala fazendo um gesto com a mão, ela é muito engraçada tenho certeza que nos daremos muito bem — agora vai lá no RH para assinar os documentos. Mais uma vez, estou no andar do RH, mas o sentimento dessa vez é muito diferente. Observo a mesma recepcionista. Quando me olha dá um sorriso muito falso, que não alcança seus olhos. — Olá, senhorita Paola, pode entrar direto. Mirtes avisou que você estava descendo e a senhorita Alana a está aguardando — fala com educação, mas ainda noto o seu olhar de desprezo. Dou duas batidas na porta e entro. Nesta sala há três pessoas trabalhando, duas mulheres morenas e um homem loiro. Uma das morenas, muito bonita e bem vestida, se levanta e vem em minha direção. — Olá, você deve ser a senhorita Paola — assinto e ela me dá a mão — sou a Alana responsável pelo RH. — Olá, senhorita Alana, é um prazer conhecê-la — falo segurando a mão que ela estende. — O prazer é meu. Sente-se aqui — aponta uma cadeira em frente a sua mesa — vou redigir seu contrato e falar sobre todos os benefícios que terá. Já passa da uma da tarde quando enfim resolvo tudo e posso ir para casa contar a novidade para meu pai e para Lua. Assim que as portas do elevador se abrem, para minha surpresa o senhor Alkan está lá dentro. Hesito em entrar, mas escuto sua voz grossa. — Entre, senhorita Paola. Acho que não seremos premiados duas vezes no dia — diz com um pequeno sorriso de lado, o que o torna ainda mais lindo, eu dou um sorriso meio nervoso e entro. — Conseguiu resolver tudo que precisava? — Sim, a senhorita Alana foi muito educada e prestativa. Explicou-me tudo direito, como funciona, amanhã às oito horas estarei aqui conforme o combinado — falo tudo muito rápido, porque fico nervosa perto dele. Olho em sua direção e está me avaliando, fico nervosa com seu olhar, é intenso e parece ler meus pensamentos. — A partir de amanhã, quero que você use o elevador privativo da presidência. Só estou usando esses hoje, pois ele está em manutenção. Mostre seu crachá para o segurança que estiver nas catracas e ele te guiará — ele vai sempre direto ao ponto. — Mas senhor Alkan, não é necessário, posso usar esses mesmo — tento argumentar porque é estranho considerar usar um elevador privativo da presidência. — Vai por mim, senhorita Paola, você irá precisar. Os funcionários costumam ser bem invasivos com pessoas com contato direto comigo ou com outros membros da diretoria. A senhora Mirtes também o utiliza. — Se é assim, farei como o senhor deseja e o utilizarei — Faço a besteira de olhar em seus olhos novamente. Parece que estão ainda mais escuros, o clima no elevador fica tenso, não sei explicar. Quando chegamos ao térreo e as portas se abrem, me despeço e saio quase correndo. Chego na calçada e solto a respiração que nem sabia que estava prendendo. O senhor Alkan é muito intenso, mas acredito que com o passar do tempo irei me acostumar a ele, só espero que seja rápido.
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