Henrique - Ansioso

1381 Words
Henrique Estou na sala reservada aos nossos padrinhos e a mim, o ambiente é maravilhoso. Tem muito espaço, é aconchegante e possui tudo o que precisamos. Estou uma pilha de nervos tamanha é a minha ansiedade. Por mim, o casamento já tinha acontecido e nós já estaríamos aproveitando a festa. Mas ao invés disso, estou aqui dentro, esperando a minha belíssima mulher terminar de se arrumar, ouvindo um bando de homens que acham que pode me acalmar. Me sinto muito empolgado, na verdade acho que a palavra correta é pilhado. Mas isso não me incomoda porque sei que assim que eu estiver no altar, ouvindo a música escolhida por ela começar a tocar, esse sentimento irá pelo menos triplicar. Nem sei quantas vezes sonhei com essa data, vê-la arrumada especialmente para mim, vindo ao meu encontro. Então até que tudo isso se concretize, permanecerei nessa euforia louca. Para me ajudar a esperar o momento de sair por essas portas, me forcei a engrenar em uma conversa com o meu primo Daniel, um dos meus padrinhos, aceitando um copo de whisky para tentar me acalmar. O que funcionou muito bem, até a hora que a cerimonialista apareceu nos chamando para assumirmos os nossos lugares. —Desculpa incomodar, mas está na hora de tomarem seus lugares. Na mesma hora dei um pulo da poltrona que estava sentado sentindo meu coração acelerar ainda mais, é lógico que eles riram de mim mas eu nem liguei porque tudo o que eu quero é encontrar a minha mulher o quanto antes. Freitas: —Calma Rodrigues, desse jeito seu coração não vai aguentar a hora de encontrar a sua noiva. Daniel: —Nem brinca com uma coisa séria como essa, senão ele pira. Henrique: —Vira essa boca pra lá… Todos começaram a se preparar para sair do ambiente, mas a minha euforia era tanta que passei a frente de todos, sendo chamado pela cerimonialista que chama a minha atenção assim que entrei no corredor: —Senhor Rodrigues, pode me acompanhar por aqui por favor. —Mas a entrada para a cerimônia é para o outro lado. Questionei sem entender, ouvindo a sua explicação em seguida: —Sim, mas antes de entrar o senhor precisa falar com a sua sogra. ‘O que será que ela deseja, será que aconteceu algo?’ Sem questionar mais, segui apressado o caminho que ela me orientou, me dando conta que estávamos indo em direção ao quarto onde a Sol estava com as madrinhas, o que me deixou apreensivo. ‘Será algum imprevisto?’ Em poucos passos, encontrei a minha sogra bem agitada em frente à porta do quarto, andando de um lado para o outro, o que me fez perguntar: —O que houve, Graça. Aconteceu alguma coisa? —Oi, meu filho. A Sol pediu para falar contigo. Meu coração acelerou ainda mais, pois não é comum a noiva pedir para ver o noivo antes do casamento tão em cima da hora. ‘Será que ela mudou de ideia?’ Uma série de pensamentos negativos tentou invadir a minha mente ao mesmo tempo, porém como eu não queria perder mais tempo e nem dá margem para tal coisa, perguntei: —E onde ela está? —Aqui dentro. —Ela respondeu mostrando a porta. Ainda olhando para ela, respirei fundo, abrindo a porta em seguida, pronto para atender a todos os pedidos da minha mulher, independente do que seja. Entrei no ambiente fechando a porta em seguida, passei os olhos no ambiente procurando a minha amada, mas não a encontrei. O cômodo está silencioso e vazio demais para os meus nervos, então chamei seu nome querendo muito encontrá-la logo: —Sol… Para o meu alívio o silêncio foi interrompido pela sua voz doce: —Aqui… atrás do biombo… Em uma busca rápida, usando a minha percepção auditiva, sendo orientado pela sua voz, identifiquei o objeto, seguindo o mais rápido que consigo para perto dele já perguntando: —O que houve, porque está se escondendo aí atrás? —Diz a lenda que o noivo não pode ver a noiva vestida antes de estarem no altar. ‘Então ela se escondeu no lugar errado.’ Porque para a minha sorte, o objeto de madeira possui partes levemente vazadas, o que me permite ter um pequeno vislumbre dos seus contornos perfeitos. Minha ansiedade aumenta ainda mais por saber que ela está pronta para mim e tão perto, minha vontade era ultrapassar o biombo para olhá-la diretamente, mas em sinal de respeito ao ritual religioso e a sua vontade de segui-lo, me posicionei bem próximo ao objeto ficando de costas para ele e perguntei: —Aconteceu alguma coisa para me chamar aqui antes do casamento? —Sim, eu fiquei com saudades de você. Queria ouvir sua voz e sentir a sua presença mais uma vez antes de subirmos ao altar. Precisava confirmar que tudo isso é real e que desta vez irei realmente casar com o homem que eu sempre amei e escolhi para ser meu amado para o resto das nossas vidas. Um grande alívio toma conta de mim e um enorme sorriso volta ao meu rosto. Entendendo bem o que ela sente, me posicionei perto do limite do biombo, estendi minha mão direita para que ela pudesse segurar e pedi: —Aqui, sente a mão do seu marido. —Assim que pedi, ela faz o que eu peço após se mover, me fazendo sentir a sua mão pequena e quente entrelaçando nos meus dedos enquanto termino de falar — O homem que te entregou o coração no momento em que você aceitou namorar com ele quando nós ainda éramos apenas adolescentes, o que te fez mulher, o que te ama com a mente, corpo e alma e está disposto a viver todos os dias para te fazer feliz. Ao terminar de falar escuto ela suspirando antes de responder: —Obrigada por vir, eu precisava disso, precisava de você! Queria te sentir outra vez, queria nos sentir juntos para confirmar que isso não é uma ilusão da minha cabeça como das outras vezes. —Eu sempre virei quando me chamar, meu amor. —Eu sei… por isso te chamei. —Ela faz uma pausa longa demais para o meu gosto, o que me deixa um pouco ansioso, pensando no que falar, mas em seguida ela continua — Henrique… —Pode falar… —Também quero que saiba que daqui a pouco eu vou subir naquele altar para te encontrar completamente feliz, consciente e satisfeita com a minha escolha de unir a minha vida à sua. Que você me faz sentir completamente amada o tempo todo e eu espero muito retribuir todo esse amor ao longo dos anos que teremos pela frente. Cada palavra invadiu meu coração tirando todo o nervosismo que eu sentia antes de entrar nesse ambiente, o que me faz falar: —E eu digo o mesmo meu amor. Sei que fiz a escolha certa há muitos anos e mesmo que tenhamos demorado além do que queríamos para chegar aqui, eu não escolheria outra pessoa para ser a minha mulher. Você foi, é e sempre será a minha amada! —Eu te amo tanto, Henrique! —E eu te amo, Sol! Assim que terminei de falar, ergui com carinho sua mão, levando-a à minha boca. Deixando um beijo casto em seu dorso já que não podia deixar na sua boca suculenta como gostaria, perguntando em seguida: —Está pronta para se casar comigo agora? Ela gargalha e responde: —Estou mais que pronta! —Ótimo, porque agora está na hora de começarmos o nosso felizes para sempre. —Eu concordo plenamente com isso, aliás acho que já passou da hora. —Ótimo! Então eu vou indo… até daqui a pouco. —Até… Deixei outro beijo em sua mão, e com dor no coração a soltei aos poucos. Minha vontade era que ela me acompanhasse logo, mas me resignei, caminhando para a porta. Ao girar a maçaneta para sair, olhei em sua direção vendo através do biombo apenas o seu contorno e falei:  —Só para constar, estou usando uma bela roupa e vou estar te esperando no altar… —E eu vou caminhar ao seu encontro com um lindo vestido escolhido especialmente para você… —Estou ansioso para isso, até daqui a pouco. —Eu também! Até…
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