capítulo 14. conhecendo a sara

810 Words
Luna fica alguns segundos em silêncio do outro lado da linha… e então solta: — Romântico? Amiga, pelo amor de Deus… você tá morando numa mansão com três irmãos misteriosos. Se isso fosse um livro, você já estaria sendo perseguida por um deles num corredor escuro, ou acordando com um vampiro sentado na janela te observando dormir. — LUNA! quase engasgo, rindo e ficando nervosa ao mesmo tempo. — Para! Não fala assim, eu tô sozinha aqui! Ela dá uma gargalhada gostosa, daquela que aquece o coração. — Ah, desculpa, princesa das sombras. É que eu tô visualizando a cena. Você, toda desajeitada, tropeçando na própria mala, enquanto um dos irmãos te pega nos braços e solta: “Cuidado, humana.” — Você tem uma imaginação muito fértil respondo, cobrindo o rosto com a mão. — Eu tenho é certeza de que você vai beijar um deles em menos de um mês. — LUNA! protesto, agora com o rosto completamente quente. — O quê? ela fala com a maior cara de p*u do mundo. — Cê acha mesmo que três homens lindos, góticos, misteriosos, ricos e provavelmente emocionalmente danificados vão ignorar você? Nem ferrando. — Eu só quero trabalhar como babá e estudar, tá? digo, tentando soar firme, mas minha voz falha um pouco. Luna dá um suspiro dramático. — Aham. E eu só quero parar de comer chocolate de madrugada. Mas a gente sabe que nenhuma das duas vai conseguir. Eu rio alto dessa vez a primeira risada verdadeira que dou desde que cheguei na cidade. — Vai dormir, Luna. — Vou nada ela provoca. — Quero estar acordada no dia que você me ligar dizendo: “Lunaaaa, eu acho que estou apaixonada por um Ravenscroft.” — Bom sono, Luna! digo rápido, antes que ela continue. — Boa sorte, Ravena. E cuidado pra não se apaixonar pela sombra errada aí. A chamada cai, e o silêncio volta a ocupar o quarto… grande, bonito, mas frio. Frio demais para ser apenas temperatura. Suspiro, pego meu casaco e decido: — Bem… acho que vou até a faculdade falar com o reitor. Ainda é cedo. Seguro a maçaneta do quarto e saio. O corredor é comprido, com o chão de madeira que range como se estivesse sussurrando algo. Desço as escadas, e o eco dos meus passos parece mais alto do que deveria. Quando alcanço a porta principal da mansão, estendo a mão para puxá-la, mas… — Ravena. Para onde você vai? Congelo. A voz de Nicolas vem logo atrás de mim calma, porém firme, e baixa como um trovão contido. Viro devagar. Ele está ali, parado no alto do último degrau, observando-me como se pudesse enxergar cada pensamento meu. — Bem… eu vou falar com o reitor da faculdade digo, tentando soar tranquila, mas minha voz sai baixa demais. Ele desce um único degrau. Só isso. Mas parece que o ar ao redor muda. — Tudo bem responde. — Só tome cuidado. Seus olhos verdes ficam mais intensos, como se guardassem algo não dito. — Não volte à noite para casa. A cidade ainda é… perigosa. O jeito que ele fala “perigosa” faz meu estômago apertar. — Certo murmuro, e finalmente empurro a porta. Lá fora, o vento frio me envolve. Fecho o portão atrás de mim e sigo pela estrada, tentando não olhar para a floresta escura que parece me observar. A faculdade aparece à minha frente, imponente, com suas paredes antigas e janelas altas. Mas por dentro… eu não faço ideia de onde devo ir. Dou alguns passos hesitantes pelo pátio. Vejo árvores, bancos, alguns alunos… e então alguém chama minha atenção. Uma garota linda se aproxima cabelos curtos, castanhos e levemente bagunçados, olhos intensos e um sorriso tão aberto que parece iluminar o lugar. — Oi! ela diz, simpática e confiante. — Eu sou Sara. Você é nova por aqui? — Sou, sim respondo, um pouco surpresa pela abordagem tão direta. — Sou Ravena. Ela me olha de cima a baixo, não de forma julgadora, mas curiosa. — Bem-vinda ao Vale das Sombras, Ravena. Ela ri baixinho. — Apesar do nome, eu juro que nem tudo aqui é estranho. Só… quase tudo. Dou uma risada nervosa. — Estou começando a perceber isso. — E você está perdida, né? ela pergunta, inclinando a cabeça. — Muito admito. Sara dá um passo à frente, animada. — Então vem comigo! Eu te mostro onde fica o reitor. E, se quiser, depois posso te apresentar os melhores lugares da faculdade. Aqui tem alguns cantos legais… e outros que a gente evita. — Evita? repito, tentando não parecer preocupada. Ela sorri, mas é um sorriso diferente… como se escondesse um segredo. — É. Toda cidade tem suas sombras, Ravena. A nossa só… abraça um pouco mais as delas. Um arrepio percorre minha nuca. Mas mesmo assim, caminho ao lado dela.
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