capítulo 9. rumo a uma nova vida

624 Words
— Mas por que essa cidade, Ravena? Diego pergunta depois de alguns minutos de silêncio na estrada. Sua voz tem um tom preocupado, quase protetor. — Fui aprovada na faculdade de lá… e já consegui um trabalho respondo, olhando para a paisagem que passa pela janela. Casas sumindo, postes ficando para trás… como se minha antiga vida estivesse se desfazendo lentamente. Diego solta um suspiro baixo. — Você tem coragem. Aquela cidade é… muito estranha. Ele hesita, como se tivesse receio de assustar. — Sério, você devia descansar um pouco antes de chegar. Vai precisar. — Sim… estou um pouco cansada depois do show digo, me ajeitando melhor no banco, sentindo minhas pernas finalmente relaxarem. Ele vira o rosto rápido para mim, surpreso. — Show? Você foi ao show da Nightbloom? Eu sorrio, mesmo cansada. — A Luna me arrastou. E eu fui, né? Sou muito fã deles. Diego ri, mas é uma risada curta. — Aquela banda… tem uma energia estranha. Não no sentido r**m, só… diferente. Ele volta a olhar a estrada. — O vocalista parece que lê a alma da gente com aqueles olhos. E o baterista… o jeito dele é quase ameaçador. Eu lembro do vocalista entrando no palco, a voz grave, a escuridão de cada verso. Lembro do baterista tatuado, do anjo n***o marcado no braço. Lembro de como aquela música parecia falar comigo. — “Diferente” é uma palavra boa murmuro. Diego percebe meu tom e estreita os olhos. — Ravena… você não vai para essa cidade só por causa de faculdade e trabalho, né? — Claro que vou respondo rápido demais. A verdade é que nem eu sei por que estou indo. Só sinto… que devo ir. Como se algo estivesse me chamando. Algo frio. Algo antigo. Algo que vive no Vale das Sombras. Diego suspira, rendido. — Tá. Só… fica perto de mim até te deixar lá, tudo bem? A estrada fica mais estranha daqui pra frente. Eu olho pela janela. A névoa começa a surgir. Grossa. Pesada. Como um véu. E meu coração acelera sem motivo. — Tudo bem respondo baixinho. A noite já estava nos deixando, mas a estrada parecia cada vez mais escura, como se a própria floresta sugasse o pouco de luz que restava. Olho pela janela, observando as árvores enormes que nos cercam. Troncos retorcidos, sombras profundas… como se alguma coisa pudesse estar observando de dentro da mata. — Nossa… tem muita floresta aqui murmuro, puxando o casaco para mais perto do corpo. O ar parece mais frio agora. — Sim. Não é uma cidade muito grande, e os moradores cuidam muito bem da floresta Diego responde, mantendo os olhos fixos na estrada. A forma como ele segura o volante, firme demais, me deixa um pouco inquieta. Silêncio por alguns segundos. — Mas… no que você vai trabalhar pra pagar a faculdade? Diego pergunta, como quem tenta quebrar o clima pesado. — De babá. Para uma família rica digo, ainda olhando a escuridão entre as árvores, como se algo ali chamasse minha atenção sem motivo. — Nossa, legal. E qual é a família? ele pergunta, curioso de verdade. Engulo em seco antes de responder. Talvez porque o nome… realmente combine com tudo ao nosso redor. — Os Ravenscroft digo devagar, ainda encarando a floresta. Diego arregala levemente os olhos. — Ravenscroft, hein? Ele dá uma risada curta, mas sem humor. — Nome meio sombrio… combina com a cidade. — É concordo, mas minha voz sai mais baixa do que eu esperava. Porque, por um segundo apenas um segundo juro que vejo uma silhueta entre as árvores. Alta. Parada. Como se observasse o carro passar. Mas quando piscamos, nada está lá. Só luz e sombra. E a névoa ficando mais densa.
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