~Terceiro~ A luz da manhã de Madri tentava filtrar-se pelas frestas das cortinas de veludo pesado, mas o quarto ainda pertencia à penumbra. Eu estava acordado há pelo menos meia hora, apenas observando o milagre que acontecia entre os meus braços. Sara estava profundamente adormecida, o rosto aninhado na curva do meu pescoço, a respiração quente e rítmica contra a minha pele. Eu a sentia por inteiro. Meus braços a cercavam como as muralhas de uma fortaleza, uma perna minha estava jogada sobre as dela, prendendo-a a mim. A possessividade que eu sempre carreguei — aquela sombra que me fazia querer colocar o mundo em chamas para mantê-la segura — não estava apenas viva; ela estava rugindo. Noite passada, o último muro entre nós caiu. Agora, ela não era apenas a garota que eu protegia; ela e

