VICTOR SCHMITH Eu deveria estar descansando. Deveria estar com Alana no quarto, deitado na cama com os dedos entre os fios do cabelo dela, sentindo o perfume que sempre fica grudado em mim. Mas não estou. A raiva ainda pulsa nos meus ossos. O grito do Daniel ecoa na minha cabeça:“Você é um desgraçado sem escrúpulos!” Como ele ousa? Assim que ele é retirado, eu dou meia volta e entro no corredor. Fecho a porta do meu escritório com tudo e tranco. Preciso de silêncio. Preciso pensar antes de fazer uma besteira e antes de agir por impulso. Encosto as mãos na madeira da escrivaninha. Os meus ombros estão tensos e o meu maxilar, travado. Só quem já teve um filho cuspir ódio na sua cara sabe o que é essa dor e essa raiva. Ele não veio conversar. Ele veio me agredir e veio cuspir veneno.

