Jade Alencar A minha mãe ainda está no telefone, andando de um lado para o outro pela sala. Eu e meu pai estamos sentados no sofá, em silêncio. Ele mexe no relógio como se quisesse passar o tempo mais rápido, e eu fico apertando os dedos, sentindo o meu estômago revirar. Eu tentei ouvir de todas as formas, mas não deu e o jeito é esperar. A ligação parece interminável. Três, quatro, talvez cinco minutos. Parece uma eternidade para quem fica nervosa como eu. Quando ela finalmente encerra, respira fundo e apoia as mãos na cintura. — Eu preciso viajar até amanhã... — Diz, séria. — É o único jeito. Meu pai franze o cenho. — Viajar? Como assim? O que está acontecendo? Troco um olhar rápido com ela e resolvo explicar. — É a minha avó. Ela está internada no hospital... ficou doente e

