Henrique Walson A estrada escura vai ficando para trás enquanto dirijo com uma mão no volante e a outra pousada na coxa da Jade. Nós já estávamos fora da cidade, mergulhados em um silêncio que, de forma curiosa, não é desconfortável. A música toca baixa no carro e, ainda que ela não fale muito, vejo que bate levemente o pé no ritmo. Ela também não soltou a minha mão em nenhum momento. Pelo contrário, continua fazendo pequenos carinhos com os dedos, como se precisasse desse toque tanto quanto eu. É um bom sinal. Apesar da leveza crescente no ar, ainda noto vestígios do que quer que tenha acontecido no jantar com o pai dela. Deve ter sido algo bem sério e eu nem consigo imaginar. Vou esperar. O seu rosto carrega resquícios de maquiagem borrada, os cabelos estão um pouco bagunçados e o s

