ALANA CLIVE Ainda na varanda de casa, eu observo a minha irmã. Tatiana está de pernas cruzadas, com os dedos entrelaçados no colo, enquanto o vento bagunça um pouco os fios curtos do seu cabelo. A expressão dela continua fechada, porém mais serena do que antes. Talvez por finalmente estar colocando para fora o que carrega há tanto tempo. É muita coisa para digerir e pelo jeito, tem mais. E eu tenho medo! — E quando você desapareceu? Você sumiu de repente. Todos diziam que você fugiu por vontade própria... por causa de um namorado. — Ela abaixa o olhar. — Eles não gostaram nada disso... eu lembro. — Não foi por vontade... eu fui obrigada... — Eu franzo o cenho na hora. — Foi mais ou menos como uma fuga, sim. Mas não porque eu planejei ou quis. — Ela desvia o olhar e encara o portão.

