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1974 Words
DOIS DIAS DEPOIS MANHATTAN — SÁBADO, 18H36. Estou no apartamento deitada na cama, e assim fiquei o dia inteiro. Meu celular começa a tocar, vejo um número diferente, mas daqui. — Alô? — Lola, é o Tom. — Oi Tom, tudo bem? — achei estranho ele estar me ligando. — Sim, e você? Está fazendo alguma coisa? — Não, estou no apartamento da vovó em Manhattan. — Gostaria de me acompanhar em uma festa? Preciso de uma acompanhante bem bonita e só me veio você à cabeça — jogando charme pra cima de mim, Tom? Reviro os olhos. — Como será esse evento? — Bobagem, nada demais. Um baile de gala. — Okay — não estou fazendo nada mesmo. — Alguém vai deixar um vestido aí no apartamento, te pego às oito horas. — Tudo bem. — Não me decepcione, Lola. — Não irei. Desligo. Continuo deitada por um tempo, por que disse que iria? Nem estou com vontade. Meia hora depois a empregada me trouxe uma caixa enorme. Abri, e embrulhado num papel está o vestido. O puxo e nossa, é maravilhoso. Vou para o banheiro, tomo uma ducha, depois saio, faço higiene, e depois de muito tempo estou pronta. Já é quase oito horas. Pego celular, coloco dentro da bolsa que veio com o vestido e desço toda no glamour. Disse apenas para Mike para onde estou indo e com quem. [...] Tom abre a porta da Lamborghini para mim, saio com sua ajuda e o lugar é uma mansão. Pouco tempo depois já estamos dentro, muita gente chique, muito luxo. Pegamos uma taça de champagne e continuamos entrando. — Vai me dizer por que estamos aqui? — Viemos roubar, baby — diz em meu ouvido alisando minha mandíbula. — Não acredito que me arrastou aqui pra isso — digo baixo nervosa o olhando. — Vai ser rápido, o dono da mansão tem uma coisa que eu quero. A festa rola solta, mas como é de gala, é mais calmo, lento, as pessoas bebem e dançam no meio. Há seguranças nos andares de cima e muita gente aqui. [...] Tom me puxa por um corredor, e vemos um segurança. Ele me empurra na parede, solto um suspiro o olhando, Tom se lança sobre mim, e começa a beijar meu pescoço enquanto as mãos percorrem minha perna dobrada, é falso, mas é bom. — Vão para um quarto — o segurança diz pegando o ombro de Tom e aponta na direção dos de onde eles ficam. — Obrigado — Tom dá ao homem uma nota de cem dólares e caminhamos em direção a onde o homem mandou. Chegamos a um corredor, há um casal saindo de um dos quartos. Tom parece conhecer o lugar. — Só cinco minutos? — ele resmunga nervoso, provavelmente por ouvir alguém dizer algo no ponto bem discreto em seu ouvido. E então ele me puxa para outro corredor, outro e passamos por uma porta. Estamos num quarto fudido de grande e luxuoso. Paramos frente a uma porta. — Estou aqui — ele diz para o relógio em seu pulso — Quebra logo e segura as câmeras por mais tempo. E então o controle de entrada de uma porta gigante que pede identificação da palma da mão dá problema, um aviso aparece e a porta é liberada. É um cofre, e que cofre. Tom corre em direção a uma mesa bem no centro, aonde chegando mais perto posso ver um diamante, acho que é o maior que já vi em toda minha vida. Tom o pega, o observa calmamente e vem até mim, me lança um sorriso e então o enfia entre meus s***s me olhando. Reviro meus olhos. — Cuida bem dele — diz e sorri de canto fitando meus s***s saltando um pouco para fora do decote. Tom ainda abre algumas gavetinhas e tira de uma delas um pendrive. — Vamos, vamos, vamos, temos dois minutos para sair desse quarto até as câmeras voltarem — ele diz apressado. Saímos dali com cuidado, mas rápido. Voltamos para o corredor, olho pelo canto, vejo um homem vindo. Agarro Tom, o coloco na parede, sorrimos e ele me vira, me deixando na parede e torna a beijar meu pescoço, desta vez apertando minha b***a. Fecho os olhos e gemo baixo passando a mão no cabelo dele. Sou uma bela atriz.  — Vocês não podem estar aqui — o homem armado diz. — Me desculpe, minha mulher está lá em baixo, e ela... Você sabe, cara — ele dá de ombros. — Saiam daqui — Tom pega minha mão e saímos caminhando tranquilamente de volta para baixo. Dançamos um pouco juntos na pista, conforme giramos nossos olhos passam por todo o ambiente, e percebo uma movimentação diferente dos seguranças. — Viu isso? — digo próximo ao seu ouvido. — Sim. Hora de ir embora. A música acaba, saímos da pista e conforme Tom me puxa eu olho em volta, vejo um homem conhecido, mas não me lembro de onde. Saímos pela porta por onde entramos as pressas, ele me deu um salto sem tiras justamente para conseguir tirar fácil e correr, e assim faço. Entramos rápido cada um de um lado na Lambor que alguém já deixou lá fora. Ouvimos tiros e Tom sai cantando pneu. É muita adrenalina, nunca fiz isso, roubar. É loucura. Saio de um lugar para tentar me livrar desse mundo e ele me persegue, é tipo carma. Tiro o diamante do meio dos s***s e o olho. É tão lindo. — Temos companhia, baby, melhor colocar o cinto — ele diz olhando o retrovisor. Olho para trás e vejo um carro grande nos seguindo. O carro é atingido por tiros, eu me assunto, abaixo a cabeça e Tom dá risada, se gabando por ser blindado. Ele abre o vidro, coloca a cabeça para fora e atira também. Eu seguro o volante. Ele volta e vamos cortando as ruas, dando uma fuga e então conseguimos, não somos mais seguidos e depois de um tempo estamos frente a um galpão. Saímos do carro e caminhamos até lá. Ele abre a porta e é como um escritório, uma oficina também. — Conseguimos — ele diz entrando mostrando o pendrive. — Bom, muito bom — um homem sentado em um sofá diz. Há pelo menos cinco pessoas aqui, e uma delas está mexendo debaixo de um carro. — Quem é essa daí? — uma loira diz me olhando de cima a baixo sentada no braço do sofá. — Lola Thompson — ele me olha e sorri de canto. — Não sabia que tinha outra irmã — um dos homens diz. — Minha prima. — Seja bem vinda, Lola — um magrelinho todo tatuado e de óculos diz sentado em uma cadeira frente ao computador. Tom jogou o pendrive para o tatuado do computador e disse que depois voltaria. Saímos dali e ele me levou de volta ao apartamento. — Não vai querer subir? — digo tirando o cinto. — Não deveria, mas vamos ai. Lembrei do que vovô tinha dito a mim, que gostaria de ver todos os netos dele no mesmo dia em que conversamos e ele percebeu que eu estou num tipo de batalha dentro de mim.   VALENTINA DUARTE POINT OF VIEW SÃO PAULO, SP — SÁBADO, 22H15 Desde que Lola se foi as coisas mudaram muito. A última vez que a vi foi quando fechamos a loja e Rafael foi buscá-la para irem conversar, de lá nós não tivemos notícias por dois dias, e cogitamos a ideia de um seqüestro. Tive que mentir para os pais da Lola por que eu tinha esperança que eles voltariam, e eu sei muito bem que Joseph desconfiava de alguma coisa, foi difícil, foi loucura. Se eu soubesse que aquele dia seria a última vez que a veria eu a teria abraçado mais forte. Como eu disse, muitas coisas mudaram, muitas coisas aconteceram.  Eu engravidei do bocó do Lucas e quando falei, ele faltou se jogar da janela do meu apartamento, mas depois não parou de alisar minha barriga, conversar com ela e vem sendo assim desde então, e sim, estamos juntos. Ele disse que vai tentar se afastar um pouco do crime, mas que é difícil. Eu acabei indo para o morro algumas vezes, e em uma delas teve confronto com a polícia. Quase morri do coração. Ver Lucas, o Rafael e todos os moleques que nem imaginávamos mexer com isso, atirando com armas de grande porte é assustador. Falando no Rafael, ele é o chefe da p***a toda, e é estranho, por que eu conheci o Rodrigo e é loucura, não são as mesmas pessoas! Os meninos, Lucas, Branco e o n***o, os mais próximos a ele disseram que ele mudou muito, está bebendo demais, usando mais drogas que o normal e mais agressivo. Fernanda disse que ele gosta da Lola e não está sabendo lidar com isso, é engraçado, mas é triste, por que Lola não vai voltar, o problema é que eu sei que ela já tinha uma quedinha pelo Rodrigo, e cara, aquele dia que ela chegou lá no apartamento dando piti por que gostou quando o bandido a beijou era ele! Bizarro isso. Sinto muita falta da minha amiga. O natal sempre passei com os Thompsons, minha família desde que perdi meus pais, mas esse ano foi diferente, passamos com a família do Rafael e digo que ele era outra pessoa. A família dele sabe de tudo, mas parece que por uma única noite ele e todos os outros se esqueceram de tudo e foram pessoas normais. Nem armado ele estava. Mas natal não é para sempre, e bom, eles voltaram a ser o que sempre foram. SÁBADO — É tarde, estou com Lucas na casa do Rafael, ele está de mau humor por que roubaram uma carga de cocaína dele ontem, está louco querendo matar os caras que não cuidaram do caminhão. O celular do Rafael começa a tocar e ele a falar em inglês, deve ser com o intermediador das armas que Lucas disse, não sei. Ele fica um pouco alterado, mas pouco depois ele desliga.   LOLA THOMPSON POINT OF VIEW NOVA IORQUE, MANHATTAN — DOIS DIAS DEPOIS Sai cedo para ir tomar um café na esquina, e andando pela calçada senti como se alguém estivesse me seguindo. Olho para trás e há pessoas caminhando normalmente, mas um cara com capuz andando de cabeça baixa. Ando mais rápido e não paro no café, atravesso e continuo caminhando. Ele continua vindo atrás, chego a outra esquina, olho e o cara continua me seguindo. Resolvo correr, olho para trás e ele corre atrás de mim. p***a, mas o que é isso? Continuo correndo, no meio do caminho derrubo latas de lixo tentando fazer com que ele se atrase, ele continua vindo e eu correndo. Não estou em forma pra correr tanto assim, mas não quero descobrir o que esse homem quer comigo. Atravesso correndo e um taxi breca bem em cima de mim, eu olho assustada o motorista, que me xinga muito e o homem continua vindo atrás, e eu arranco dali voltando a correr. Entro em um beco e continuo. p***a não tem saída. Meu coração parece que está na minha boca. O homem aparece e respira bem fundo enquanto caminha em minha direção. Dou passos para trás o olhando e então saio correndo novamente e pulo na grade que separa o beco, subo com dificuldade, mas consigo atravessar, pular é o problema, depois de me jogar sinto uma dor no tornozelo, olho rapidamente o homem e ele tem tatuagens no rosto, e continuo correndo. Entro em um edifício abandonado e me escondo, me encolhendo num canto enquanto tento regular minha respiração. Pego meu celular e ligo para Tom. — Lola? — Tom, alguém está me perseguindo — digo com dor e respirando profundamente. 
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