Ela se despediu rapidamente e se dirigiu a sua casa com a sensação de dever cumprido. Pegou-se pensando em Richard, ele parecia simpático. Sim, ela gastara o intervalo das pesquisas e das tentativas de escrever algo o observando trabalhar. Afinal, não era de ferro. Sua mente a alertava: Não se envolva, ele está fora de questão. Você já tem problemas suficientes, se concentra no casamento.
Seu principal objetivo continuava sendo sair da cidade com o filho o quanto antes.
Era tarde quando Helena chegou em casa, na sala de estar a irmã a esperava sentada em uma poltrona, as duas até tentaram não fazer barulho ao retirar as compras do carro de helena, mas não tiveram sucesso, delicadeza nunca foi o forte de nenhuma das duas, foi um verdadeiro milagre que elas não derrubaram a casa toda.
Quando a última sacola foi trazida para dentro de casa, as duas se acomodaram no sofá:
— Conseguiu tudo? —Afrodite parecia ansiosa.
— O que você acha? — Helena respondeu com um sorrisinho antes de completar — Mas é bom que tia Elen chegue aqui logo, temos muita coisa para fazer.
Em algum momento, a vida esqueceu-se de ensinar a irmã como se conter em situações estressantes, porque ela estava a beira de um colapso:
— Tia Elen não vai vir! Ela ligou há algumas horas e agora o que vamos fazer? Eu não sei costurar! Nessa casa só a mamãe costura e ela está muito ocupada!
— Me ame, eu vou costurar! E não seja má nos próximos dias ou seus convidados vão limpar a boca na toalha de mesa e sentar em cadeiras sem topes maravilhosos.
— Eca — Afrodite reclamou entre risadas enquanto subia para o quarto — Eu imaginei a cena, trauma eterno, cadê meu psicólogo? –ela fazia drama enquanto seguia para o seu quarto — Boa noite Helena.
— Boa noite Afrodite — Helena respondeu do outro quarto.
Henrique estava apagado na pequena cama instalada no quarto dela, parecia feliz, abraçado ao travesseiro dormia tranquilamente.
A noite passou rapidamente, como naqueles dias em que encostamos a cabeça no travesseiro e parece que o despertador toca alguns minutos depois. O dia seguinte foi reservado para a família e acabou passando rápido.
O dia reservado para ela ir buscar a tenda havia chegado, Richard enviou um SMS às sete e quinze da manhã marcando a entrega para as duas da tarde.
Quem raios manda mensagem de texto em 2016 e às sete horas da manhã? Obviamente um morador de Fallway.
A manhã foi agitada, por sorte as habilidades de costura e bordado de Helena continuavam afiadas, ela precisou de algumas horas para terminar os guardanapos e costurar os topes e enquanto trabalhava Afrodite observava tudo atentamente e jogando conversa fora, a maior parte do tempo com outras amigas em um aplicativo de conversas online.
— Gabriela está perguntando de você!
— Diz que eu morri e estou no céu, porque mereço o céu depois de fazer tudo isso — Helena pediu para a irmã responder a antiga conhecida dos tempos de escola.
— Ela respondeu que essa é uma desculpa óbvia para alguém que está com preguiça de sair de casa — Afrodite transmitiu o recado.
—Aham, preguiça – Helena apontou com a cabeça para a pilha de tecidos — Diz pra ela que talvez sábado eu tenha algum tempo para conversar, hoje eu estou ocupada.
— Ela perguntou: richardocupada? Como assim, Richard? Já? Achei que você era toda reservada, contida e não queria se envolver com ninguém, principalmente com alguém dessa cidade.
— Como ela sabe disso? Não tinha ninguém lá! E nós conversamos, é proibido conversar agora?
Afrodite sorriu para a irmã:
— Querida, você já se deu conta do tamanho dessa cidade? Sério. Aqui todo mundo sabe de todo mundo, é triste, mas é a verdade. Mas sério, se você quiser ir em frente Richard é um partidão, eu aprovo — Afrodite prosseguiu —Desde que ele voltou para a cidade toda garota solteira em idade fértil já tentou ficar com ele, pelo que eu sei apenas uma teve sucesso, o namoro terminou em dois ou três meses. Esse aí se quisesse poderia passar o rodo na cidade inteira!
— Sério, chega Afrodite, eu só vou pegar a tenda para o seu jantar com ele e nada mais.
—Admita, você o achou atraente! — Afrodite tentava conseguir uma confissão de Helena.
— Ok, eu admito ele é atraente, mas só isso.
— Vou convidar ele para o jantar, é isso! — Afrodite respondeu pegando o celular em um pulo — melhor, eu vou pedir para que ele ajude na decoração, o bom coração do nobre cavalheiro não vai resistir — ela esperou por uma reação de Helena — você não vai tentar me impedir?
— E adianta? — Ela já sabia a resposta, se a irmã colocasse uma ideia na cabeça, ninguém conseguia impedir.
Helena acabou substituindo o almoço por um lanche rápido e seguiu para a fazenda de Richard pelo caminho que a irmã havia explicado, não demorou muito para encontrar.
Richard esperava perto do portão de entrada e por um segundo ela entendeu o porquê de toda garota da cidade querê-lo e logo depois procurou afastar esse pensamento e se concentrar na tarefa, pegar a tenda e sair dali o mais rápido possível.
Ele a recebeu com um sorriso:
—E aí, como você está?
— Oi, Bem! E você?
— Ótimo.
Eles trocaram algumas palavras antes que ele a levasse para conhecer o lugar. Richard explicou que antigamente a família plantava e criava animais para se sustentar, hoje não mais. Da antiga fazenda só restou a casa, alguns hectares de terra e um celeiro que ele usava como garagem.
A encomenda de Helena estava guardada no celeiro, eles passaram algum tempo checando e guardando a tenda no carro:
— Esse é o equipamento que você estava precisando? — Richard puxou a conversa.
— Sim, encaixou-se perfeitamente. Muito Obrigada.
— Então amanhã lá pelas três da tarde eu chego lá — Ele continuou.
Helena parecia confusa, então ele explicou:
—Sua irmã pediu ajuda com a decoração.
— Ah, eu não sabia — Sim, ela sabia, mas não queria que ele soubesse disso — Eu aviso ela.
— Você vai estar lá?
— Sim, eu vou — Helena respondeu a pergunta curiosa com a razão da pergunta.
— Legal — Ele pareceu satisfeito com a resposta.
O assunto foi mudando do tempo para a cidade e como era a vida na cidade grande, até que helena criou coragem e perguntou:
—Mais alguém mora aqui? — ela tentava não parecer intrometida.
— Não, apenas eu.
— Então — ela tomou coragem para fazer a próxima pergunta puxando o fôlego, sabendo que soaria bem intrometida – Qual a sua história?
— Engraçado eu ia perguntar a você a mesma coisa.
— Perguntei primeiro — ela abriu os braços se justificando.
— Ok, eu conto, essa fazenda era do meu pai. Eu morava na capital, tinha um emprego considerável e uma casa legal — ele fez uma pausa — a versão curta é que, meu pai ficou doente, bem doente, e eu voltei para cá, ele se foi e então eu fiquei para cuidar de tudo.
— Sinto muito.
— Sabe, morar no fim do mundo não era o plano de vida da minha namorada na época, então ela acabou ficando na minha antiga cidade e eu terminei aqui, fazendeiro/dono de lanchonete de cidade pequena.
— Você parece estar se saindo bem — Helena não sabia exatamente o que dizer naquele momento.
Ela tomou um susto quando olhou para o relógio, era hora de voltar para casa.
No Hall de entrada Afrodite a esperava ansiosa:
— Você fez uma viagem de seis minutos em UMA HORA E MEIA — ela fez questão de enfatizar a última parte — O que tinha de tão interessante por lá, ou melhor, que atividades interessantes você andou praticando?
Enquanto a irmã de Helena falava uma tia das duas que passava pela área soltou um:
— O Richard? Até eu pegava...
Helena fez um gesto com a mão, desistindo de responder qualquer uma das duas seguiu para o quarto sem dizer uma única palavra.