Helena e afrodite não sabiam muito bem o que fazer quando as coisas apertavam, porque kyra sempre resolvia as confusões em que as duas se metiam. Só que essa não era apenas uma confusão, era o nome da família que estava em jogo, algo que seu pai lutara muito para manter e que era importante para sua mãe.
A reunião para decidir o que fazer diante das ameaças de exposição seria aquela noite e até lá as duas deveriam se distrair com qualquer atividade possível, o que na verdade foi impossível porque, quando o nome da família estava em perigo elas sentiam que sua identidade estava em perigo e no fim, isso era tudo o que elas tinham.
Kyra, como toda avó que faz de tudo pelos netos, montou em dois dias um playground completo para henrique, com direito a brinquedos, consoles e uma televisão enorme. Como toda criança henrique passou o dia envolvido nas atividades que o playgroud proporciona. Antigamente ele diria que isso era coisa de bebê, mas ele estava se esforçando para que todos gostassem dele, e deslumbrado com a possibilidade de ter uma avó e uma tia.
Helena após checar o filho decidiu ir até o quarto de afrodite, ao bater na porta foi recebida com um:
pode entrar! Ah é você, chegou em boa hora preciso de ajuda. - ela saudou a irmã.
Com o que eu posso ajudar? - Helena respondeu sentando na poltrona que ficava de frente para a janela.
Pega aqui essa revista - ela estendeu uma revista sobre casamento que deveria ter umas duzentas páginas.
Nossa, o que é isso? um dicionário.
Quase isso maninha, é um guia completo de organização de casamento.
Nossa, me lembre de nunca casar! - helena precisou fazer um esforço para pegar a revista da mão de afrodite.
Não liga, você já pulou essa fase - afrodite sorriu e mostrou a língua para a irmã.
Pareceu que uma nuvem passou pelo olhar de afrodite e helena sabia que algo estava acontecendo.
ok, pode ir falando, porque eu sei que tem algo passando pela sua cabeça, não venha me dizer que esta tudo bem, eu sei que não está!
Bom, é que, eu estava pensando…. será que todo mundo tem duvidas se deveria se casar mesmo? sei lá, estou me sentindo péssima! Fhillip é ótimo comigo, um perfeito cavalheiro, mas eu sinto que não vivi. Passei o tempo todo nessa casa, junto com a mamãe, m*l fui na capital e nunca soube o que é ser independente. Sabe, eu admiro sua coragem, você foi sincera consigo mesma e fez o que achou melhor para você e para henrique mas não sei se sou capaz, ou que sei o que é o certo para mim fazer com minha vida. Eu não me sinto aquelas donas de casa, que moram no subúrbio em uma casa pintada de amarelo com cerquinhas brancas na frente, eu sou diferente. Gosto de música antiga, mas ao mesmo tempo gosto de música adolescente, me vestiria com os vestidos da era vitoriana tranquilamente mas ao mesmo tempo adoro um shorts. Você sabe, eu nunca fui uma pessoa regular…
Sim , eu sei maninha, e não tenho o que te dizer nesse momento, até porque eu nunca passei por isso e não saberia como reagir a essas dúvidas, o que eu posso fazer nesse momento é te abraçar e desejar que você escolha o melhor para sua vida.
Helena levantou-se e abraçou a irmã.
-Obrigada - afrodite agradeceu - eu estava precisando disso.
E então as duas voltaram a atenção para as revistas de casamento e tentaram esquecer os problemas do dia, ao ligar o rádio outra música romântica estava tocando, as duas se entreolharam e sorriram, sim o ar de romance parecia as perseguir, no rádio tocava:
Wasn't it just yesterday
When you held me near
Whispering the sweetest words
That I longed to head
Love me tender,
Love me sweet,
Never let me go
You have made my life complete
And I love you so
Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled
For my darling I love you
And I always will
Love me tender
(Love me tender)
Love me long
Take me to your heart
For it's there that I belong,
And we'll never part
Love me tender,
Love me true
All my dreams fulfilled
For my darling I love you
And I always will
Droga de Elvis Presley, sempre lembrando a gente que amar é uma desgraça, na verdade não, para ele amar é fofinho mas a realidade é outra.
As duas começaram a folhear as revistas, e ocasionalmente parar em uma página para mostrar a outra um vestido ou uma decoração:
-Olha esse vestido. - Helena sugeriu um vestido justo com cauda de sereia.
- Não, cauda pequena eu gosto de causar, se não for para causar eu nem caso - as duas sorriram.
Helena sabia que a máxima da irmã era essa: Se não for para causar, nem faça!
-ESSE! Afrodite gritou, tamanha a empolgação com o modelo que encontrou.
- Ai dite, parece aqueles vestidos de festa de são joão. - helena segurou o riso.
Afrodite fez uma careta e as duas desataram em uma risada.
Ta bom sua otária, você nem casou e quer julgar um vestido lindo que eu escolhi. - ela fez biquinho fingindo estar magoada.
Ta bom, vai lá casar com o tião e dançar na quadrilha, mas me tira dessa que eu não vou comparecer não! - helena deu uma gargalhada, o que fez com que afrodite jogasse uma almofada enorme em sua cara.
A cumplicidade das irmãs era tamanha que não precisavam falar para saber o que a outra pensava, elas sabiam muito bem inclusive o que a outra sentia. Mas, algo preocupava helena, quando afrodite disse que seu noivo era maravilhoso com ela não pareceu sincero, ela parecia hesitante. Mesmo que tentasse esconder ela não conseguia esconder nada da irmã, as duas passaram muito tempo juntas e era impossível não saberem que algo estava errado.
Helena puxou da memória todas as vezes que interagiu com Fillhip, tentando procurar algum momento que pudesse indicar o problema, mas não lhe vinha nada a mente, teria que investigar mais de perto para descobrir o problema.