Nove anos depois...
Com comida suficiente para sobreviver a uma guerra e a minivan cheia de malas e brinquedos, helena dirige pela rua que dá acesso a sua antiga cidade, Fallway.
As lembranças do tempo em que passou na cidade voltavam a sua mente. A escola, momentos com a família, Anne e Frederico, principalmente Frederico.
No banco de trás do carro, concentrado em seu videogame portátil, Henrique, agora com oito anos, parecia nem ter percebido o tempo passar.
Apesar do cansaço das cinco horas que passou dirigindo, Helena estava feliz em rever a família, ainda que por um curto período de tempo. E, mesmo feliz Helena tinha receio de encontrar Anne ou Frederico na cidade e o que aconteceria se Frederico descobrisse ser o pai de Henrique. Não eram os julgamentos que a assustavam, estava acostumada a ser julgada por ser mãe solteira, ela só queria evitar uma guerra pela guarda do filho.
Desde que a viagem de volta a Fallway fora marcada, ela tinha pesadelos sobre estar em uma corte com Frederico e em determinado momento o juiz dizia que ele teria a guarda legal da criança. Durante esses anos ela tinha acompanhado a vida pública de Frederico e não duvidava que ele pudesse fazer algo do tipo. Queria evitar que seu pesadelo se tornasse realidade a todo custo.
Checando o garoto no banco de trás, sorriu sem querer no dia em que contou para a mãe sobre o filho:
— VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO COMIGO! Helena, você fugiu metade do estado por causa de um bebê?
Helena percebia agora que aquela talvez não fosse a melhor decisão, ela agira por impulso.
Apesar de tudo, se saíra bem sozinha. Ela tinha escolhido se afastar e fez o melhor que pode.
Os resultados?
Um garoto muito bem educado, obrigada, e com notas altíssimas.
Em alguns momentos ela se perguntava o que teria acontecido se ela tivesse contado a Frederico, se ele seria hoje o pai que o filho dela merecia, aí ela abria um portal de notícias e lá estava ele metido em outra confusão com mulheres, festas e bebidas e cada vez mais ela pensava que a decisão que tomara era o melhor para o filho.
A segunda pergunta que a mãe tinha feito durante o telefonema em que Helena contou sobre Henrique foi:
— Quem é o pai?
—Bem, é... —ela hesitou por alguns segundos antes de responder — Fre..
Ela nem conseguiu terminar:
— Frederico, aquele moleque miserável petulante! Tinha que ser!
Kira respirou fundo por alguns segundos tentando se acalmar:
—Ok, ele sabe?
—NÃO! — Helena respondeu rapidamente — Eu consigo me virar sozinha!
—Tudo bem, sua escolha, não precisa me explicar.
Algumas semanas após o telefonema, Kira e Afrodite foram até o pequeno apartamento que Helena tinha alugado com a ajuda do tio para conhecer Henrique, e essa foi a única vez que ela lembra da mãe ter agido gentilmente.
Ver a mãe e a irmã interagindo com o bebê tirou um peso dos ombros de Helena. Ela só não sabia o que dizer a Anne. Elas tinham conversado uma vez depois da garota sair da Fallway, no telefonema Anne tinha passado a maior parte do tempo falando sobre a nova faculdade e como tudo lá era maravilhoso. Helena não sabia o que dizer, então não disse nada. Como iria apresentar Henrique? Ela perceberia logo, porque ele é a cara de Frederico.