Capítulo 1

855 Words
Morar em uma cidade pequena à beira-mar como Fallway tem lá suas vantagens, esse ar de praia misturado com o barulho do mar e as poucas pessoas que permaneciam no lugar fora da temporada de praia davam a Fall, uma primeira impressão de ser um daqueles lugarzinhos “fim de mundo”. Um adorável fim de mundo. Com aproximadamente 5,897 habitantes, a pequena comunidade é conhecida por ser a casa de algumas pessoas bastante conhecidas no país. Há 25 anos, após a morte de Daniel Hutton, um apresentador de televisão bem conhecido, a esposa Kira, se mudou para a cidade com as duas filhas, Helena e Afrodite, ninguém nunca disse às garotas o que exatamente tinha acontecido com o pai delas, o que elas sabiam era que ele não iria voltar. As irmãs aprenderam a conviver com a falta de Daniel e com o tempo pararam de perguntar. Havia ainda uma segunda família, os Lopez, o filho mais velho Frederico foi um prodígio do futebol que colocou a cidade no mapa dos amantes de esportes, recentemente aposentado após uma lesão grave no joelho direito, ele volta à cidade de onde saiu de tempos em tempos para visitar a família e checar o andamento de alguns negócios dos quais é proprietário: um centro de vendas, um café e uma loja que comercializa materiais esportivos. Era natural que o caminho das duas famílias se cruzassem e essa mistura de personalidades não poderia causar nada além de confusão. A primeira vez que Frederico e Helena se encontraram, foi do primeiro dia de aula da garota, e ela sempre se lembraria do momento como se tivesse acontecido no dia anterior. Ela estava nervosa e um pouco mau-humorada. “Escola! Por que raios precisava ir a escola?” . Com a cara amarrada Helena vestiu rapidamente a roupa deixada na cadeira em frente a sua escrivaninha. O desjejum esperava pelas irmãs na mesa da cozinha e dali as duas podiam ouvir a mãe gritando com alguém no telefone. Ficar em casa o dia todo e brincar com roupas devia ser difícil, a mãe dela era designer de moda e, quando criança, brincar com roupas era o que ela conseguia entender da profissão. Desde que a família Hutton se mudara para Fallway, Helena não tivera contato com outras crianças a não ser a irmã Afrodite, como qualquer criança no primeiro dia de aula ela estava com medo do que acharia do lugar e do que achariam dela, o medo se misturava a sua curiosidade nata e ao mau humor característico da garotinha, a única coisa que ela deixou transparecer naquela manhã.  Na frente da escola enquanto as outras crianças se despediam de seus responsáveis, a mãe das garotas que as trouxera no carro da família se limitou a dizer: — Não se esqueçam... — Os Hutton tem um padrão de comportamento a manter! — as duas completaram revirando os olhos.  Tinha alguns meses que a mãe havia começado com essa história de padrão de comportamento e elas não faziam ideia da razão. Afrodite, três anos mais velha que Helena, havia sido transferida para a escola no ano anterior e logo encontrou os antigos colegas deixando a irmã mais nova sozinha na entrada do corredor principal da escola. Não era difícil perceber que ela estava perdida. Uma mãe que acabara de deixar o filho em uma das classes cochichou com uma amiga: — Aquela deve ser a Helena, coitada, toda aquela confusão com o pai, uma tragédia, a pobrezinha deve estar traumatizada. Por sorte Helena não ouviu o que a fofoqueira falava, e mesmo se tivesse ouvido não teria entendido. Ela estava muito concentrada em não chorar. Enquanto o sinal tocava duas crianças corriam na direção da escola, Frederico e Anne estavam atrasados, mais uma vez. Os pais deles saiam para trabalhar ainda na madrugada e o garoto que ficava responsável por acordar a irmã menor, não era exatamente bom nisso, pois afinal ele era só uma criança. A professora que havia pegado Helena por um braço e a levava para a sala de uma forma um pouco rude, largou a garota quando viu os irmãos chegando.  Frederico, era considerado um “aluno problema” da escola, só não causava problemas quando estava praticando esportes, aliás, era um dos melhores jogadores de futebol da escola, poucos alunos conseguiam competir no mesmo nível dele. Aquela professora tinha estabelecido como meta de vida, que naquele ano transformaria o garoto em um aluno modelo. Enquanto a professora falava com Frederico, a irmã menor se esgueirou pela porta fugindo da situação indo na direção de Helena: — Oi, eu sou a Anne, você é do primeiro ano? — Ela não esperou Helena responder para continuar — eu também sou, vem comigo que eu te mostro onde é. Vamos ser amigas né? — a garota a encarou por alguns segundo e decidiu — é, nós vamos ser amigas. Antes que Anne a arrastasse para a sala ela conseguiu perguntar. — Mas e ele? — Queria saber o que aconteceria a Frederico. — Ah, é o meu irmão, não se preocupe ele está acostumado a levar bronca.
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