O pôr do sol surpreendeu helena e fez com que se esquecesse de tudo por um momento. Perdia parte desse visual morando em uma cidade maior. Da casa de acesso, ou “puxadinho” como a família chamava da parede espelhada ela observava o horizonte. Voltando a realidade ela tratou de encaminhar os convidados aos respectivos lugares, inclusive o noivo que parecia um pouco perdido. O ensaio para a cerimônia ocorreria na sala de piano da casa e em seguida o jantar seria servido na parte externa. A garota seria a madrinha da irmã. Não gostava de ser observada, mas não poderia evitar, tinha que estar lá pela irmã. Em uma das extremidades da mesa maior, um arranjo de buquê menor e um enfeite para o bolso de terno estavam dispostos abaixo de um bilhete: “Para os padrinhos.”. Enquanto pegava o buquê da mesa, pensava em quem seria o padrinho do noivo que até agora não aparecera. Richard que chegava na tenda naquele momento foi ao encontro dela:
-Hey, me disseram que tinha um treco pra colocar no bolso do colete aqui, você por acaso viu onde os floristas colocaram?
-Você é o padrinho de fhillip?
-Sim, somos amigos de infância, quando ele me convidou não pude recusar.
-Por que você não me disse? – Ela perguntou divertida.
-Ué – com um biquinho e fingindo não se importar ele respondeu – Você não me perguntou.
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O clima estava perfeito. Mais sorte do que juízo, pois nenhuma tinha checado esse tipo de informação. Afrodite havia descido e estava pronta. Coordenando cada um em seus lugares helena sinalizou ao pastor que podia começar.
Além do jantar de ensaio, esta seria a festa oficial de noivado dos dois. Fhillip demonstrava nervosismo, estava também radiante.
O pastor então tomou a palavra, saudou os presentes e explicando como procederia iniciou a cerimônia com uma oração.
A entrada dos padrinhos ocorreu ao som de “i got a feeling". Sem dança. Os dois eram divertidos mas nem tanto. Helena caminhou a frente de Richard até o altar e se colocou no lado direito, enquanto Richard foi para o lado esquerdo junto de Fhillip.
A noiva foi anunciada ao som de uma musica clássica que helena lembrava ter ouvido em algum lugar, mas não sabia o nome.
Junto à mãe ela fez a entrada triunfal. Em meio a sorrisos tímidos, que não eram típicos dela e tchauzinhos para rostos que para helena eram apenas conhecidos ela se dirigiu lentamente ao altar.
Ha dois passos da chegada seus olhos encontraram o do noivo pela primeira vez desde que adentrara o recinto. O sorriso que escapou de seus lábios não deixavam duvidas a nenhum dos convidados, era um casal que se amava.
A "entrega" do rápida, apesar de simpatizar com o rapaz, Kira, não era muito receptiva.
Uma vez junto ao noivo, ela girou o corpo para encarar o pastor, não sem antes lançar um olhar para helena que retribuiu com um sorriso.
Era como ver uma nova vida, nascendo diante de seus olhos. A vida de Afrodite em alguns dias, deixaria de ser solitária, ela estaria eternamente ligada a Fhillip.
Era lindo. Enquanto o pastor falava sobre a instituição casamento e o compromisso que seria assumido pelos dois, ela não pode evitar pensar em como sua vida seria diferente se tivesse casado, ou pelo menos encontrado o amor de sua vida.
As lágrimas caíram naturalmente
e surpreenderam quem a conhecia bem, veja, ela não era alguém que desabasse. O mundo poderia cair, que ela continuaria firme e forte. Ela tinha forças para passar por um furacão, mas aparentemente não resistia a um jantar de ensaio.
Richard a encarava preocupado e surpreso, pelo que soubera ela não era alguém que demonstrasse sentimentos.
A irmã acabou se distraindo do sermão, o olhar que lançava para Helena era impagável, uma mistura de espanto, estranheza e riso.
Ela no momento não conseguia encarar ninguém.
A Atenção foi direcionada ao casal novamente, era a hora da troca de alianças. Os dois haviam decidido usar duas alianças, uma de compromisso que continuariam usando depois de casados e um que seria trocada no dia do casamento.
A de compromisso, era de prata com pedras incrustadas e dentro, tinha os nomes dos noivos gravados ao lado do símbolo do infinito. Os votos foram deixados para ser recitados apenas no dia do casamento, os dois trocaram as alianças, receberam uma benção e a o ensaio foi finalizado.
Aos poucos os convidados foram sendo servidos, o cardápio preparado por lianna estava divido. As conversas dominavam o ambiente.
Helena que se sentia desconfortável desde o episódio do choro, saiu por um momento da tenda. A ideia era respirar ar puro e se acalmar. Acabou se aninhando as raízes da árvore e permanecendo ali por um tempo observava tudo de longe.
Richard, que conversava perto da entrada com alguns convidados percebeu a presença dela e foi ao encontro:
-Você está bem? – ele parecia preocupado.
-Sim, não...talvez. É complicado. –Ela estava pensativa.
-Pelo que eu sei, emoção não é muito a sua área, quer conversar?
-Eu só – Ela se perdeu por um momento – as coisas foram diferentes comigo, eu pulei fases. Acabei me deixando levar pelo pensamento do que aconteceria se tudo tivesse sido diferente e me emocionei.
-Hum..-ele a incentivava a continuar.
-Sabe, é difícil quando se tem que lidar com tudo sozinha. As pessoas acham que só por que pertenço a essa família tenho vida fácil. Não é a verdade. Eu assumi meu filho e o criei sozinha, nem o pai sabe da existência dele. Eu não me arrependo, foi a escolha certa, só que não posso deixar de pensar o que teria acontecido se tivesse feito diferente. Como seriam os resultados, bons? Ruins? –ela na verdade estava falando consigo mesmo.
Richard que até aquele momento ouvia tudo de pé, encontrou um lugar para se acomodar.
- Você nunca cogitou contar ao pai do garoto?
- Por alguns segundos, aí eu lembrei quem ele era: egoísta, narcisista e todos os problemas com “ista” que você possa imaginar, ele é uma pessoa relativamente conhecida. Afetaria as famílias, a imagem pública de muita gente. Eu decidi me afastar por conta própria, me distanciei.