Capítulo 14: Stella Conti

1986 Words
Eu estava sentada na banqueta, o peso do dia começando a sumir à medida que o cheiro do molho começava a se espalhar pela cozinha. Matteo estava ali, trabalhando com concentração. Seus braços, fortes e definidos, se moviam com precisão enquanto ele abria a massa, cortando as tiras de macarrão. O movimento fluido e hábil me fez perceber o quanto ele era diferente naquele ambiente. Não havia mais aquela tensão, o olhar de alguém sempre pronto para resolver um problema ou lidar com algo urgente. Agora, ele parecia... tranquilo. Como se estivesse em seu próprio território, fazendo algo que realmente gostava. Não pude evitar observá-lo. O jeito como seus músculos se flexionavam sob a camiseta cinza, o sorriso discreto nos lábios enquanto ele se concentrava no prato, me fez perceber uma faceta dele que eu ainda não tinha visto. No escritório, Matteo era o chefe, sempre com o semblante sério, de quem tinha o mundo nos ombros. Mas ali, na cozinha, ele parecia leve, como se estivesse se entregando a algo simples e bom. Seus olhos azuis brilharam com uma energia diferente enquanto ele falava, com um brilho no olhar, sobre a receita de macarrão que ele estava preparando. — Minha avó sempre disse que um bom macarrão começa com paciência. — Ele falava enquanto cortava as tiras, cada palavra cheia de carinho, e eu podia ouvir o orgulho na sua voz. — E ela fazia questão de me ensinar todos os truques. Eu ainda estava absorta na sua fala, mas, ao mesmo tempo, meu olhar estava preso nele. Havia algo naquela cena, naquela quietude, que me fazia querer mais. Não sabia exatamente o que era, mas era impossível não perceber a energia que ele emanava, tão diferente de tudo que eu já tinha visto. Matteo, o homem que eu via como distante, talvez até intocável, agora estava ali, compartilhando um pedaço de si que era só dele, e isso me pegou de surpresa. Me senti tocada de uma maneira que eu não conseguia explicar. Foi como se ele fosse mais humano, mais real, e eu estava começando a perceber mais do que apenas o empresário focado. Matteo era... alguém com histórias, com raízes, alguém capaz de tocar sua vida de forma genuína. Eu ri sozinha, mexendo o pedaço de queijo entre os dedos, enquanto olhava Matteo trabalhar com tanto foco. Eu realmente não sabia cozinhar nada além do básico, e definitivamente não estava em um nível como o dele. — Olha, eu sou péssima na cozinha. — Confessei, largando o queijo e encostando os cotovelos na bancada, me sentindo um pouco envergonhada. — Eu posso te ajudar a ferver a água, mas não espere mais do que isso. Matteo parou por um segundo, a faca no ar, e virou para me encarar. Seu sorriso se alargou e ele gargalhou alto, sem se preocupar em esconder o riso. — Eu acho que esse bebê morreria de fome se dependesse de você, hein? — Ele disse com uma expressão exagerada de choque, a voz cheia de brincadeira. — Ah, como ousa? Eu arqueei uma sobrancelha, fingindo indignação, e num impulso peguei um punhado de farinha que estava espalhada sobre a bancada. Antes que ele pudesse reagir, atirei na direção dele, acertando seu peito. Fingi me ofender, mas a risada já estava escapando dos meus lábios. — Eu poderi pesquisar receitar na internet. — digo entre a risada sufocada Ele olhou para o peito, onde a farinha estava grudada, e não demorou muito para ele explodir em mais risadas. Ficamos ali, os dois rindo juntos, em uma leveza que eu não sentia há tanto tempo. Era engraçado como aquele momento, algo tão simples, estava me fazendo esquecer das preocupações do mundo lá fora. Eu não me lembrava da última vez em que tive uma conversa tão espontânea, tão genuína e sem pressa. Matteo olhou para mim, ainda rindo, e a luz nos olhos dele parecia mais intensa, quase como se ele estivesse compartilhando uma felicidade real. Ele então se aproximou, limpando a farinha do peito e, com um sorriso travesso, voltou à sua posição, pegando mais uma tira de massa. — Sabe, eu não sou fã dessas receitas da internet. São sempre péssimas. — Ele comentou, fazendo uma careta enquanto enrolava a massa, como se estivesse recordando um péssimo prato que ele tinha tentado fazer com base nas instruções online. Eu dei de ombros, com um sorriso nos lábios, e defendi meu ponto de vista. — Ah, eu discordo. A última vez que tentei, fiz um pão de queijo que ficou ótimo. — Eu falei, sentindo o orgulho de minha pequena conquista. — Em frigideira, mas ainda assim ficou gostoso! Ele me olhou por um momento, arqueando uma sobrancelha, claramente cético. — Pão de queijo... — Matteo suspirou com um brilho de prazer nos olhos, como se tivesse acabado de ouvir a coisa mais deliciosa do mundo. — Eu amo pão de queijo. Sinto falta disso toda vez que volto para o meu país. Não tem nada igual lá. — Ele fechou os olhos por um instante, quase como se estivesse saboreando a lembrança. — Eu poderia comer isso todos os dias. Eu o observei, com a boca ligeiramente aberta, vendo-o se perder em seus próprios pensamentos enquanto se lembrava de algo que claramente trazia uma sensação de conforto e nostalgia. — Isso é uma vantagem para mim, então. — Eu brinquei, sorrindo. — Talvez eu precise te ensinar a fazer um pão de queijo de verdade. Pode ser uma competição com a sua massa. Ele abriu os olhos, olhando-me de volta com um sorriso de desafio. — Competição? — Matteo riu. — Você está desafiando um italiano na cozinha? Eu acho que agora vou ter que aceitar a provocação. — Quem sabe? — Eu disse, inclinando a cabeça, com um olhar divertido. — Vai ser bom ver se você é tão bom na cozinha quanto diz ser. Ele colocou a massa na panela com um sorriso satisfeito, como se já soubesse que o prato estava prestes a ser perfeito, mas respondeu com um tom descontraído: — Então prepare-se, Stella. Vou ser imbatível. Matteo deu uma última olhada na farinha espalhada sobre seu peito e, com um sorriso travesso, voltou à sua posição, pegando mais uma tira de massa. — Sabe, eu não sou fã dessas receitas da internet. São sempre péssimas. — Ele comentou, fazendo uma careta enquanto enrolava a massa, como se estivesse recordando um péssimo prato que ele tinha tentado fazer com base nas instruções online. Eu dei de ombros, com um sorriso nos lábios, e defendi meu ponto de vista. — Ah, eu discordo. A última vez que tentei, fiz um pão de queijo que ficou ótimo. — Eu falei, sentindo o orgulho de minha pequena conquista. — Em frigideira, mas ainda assim ficou gostoso! Ele me olhou por um momento, arqueando uma sobrancelha, claramente cético. — Pão de queijo... — Matteo suspirou com um brilho de prazer nos olhos, como se tivesse acabado de ouvir a coisa mais deliciosa do mundo. — Eu amo pão de queijo. Sinto falta disso toda vez que volto para o meu país. Não tem nada igual lá. Aquele sabor quentinho... — Ele fechou os olhos por um instante, quase como se estivesse saboreando a lembrança. — Eu poderia comer isso todos os dias. Eu o observei, com a boca ligeiramente aberta, vendo-o se perder em seus próprios pensamentos enquanto se lembrava de algo que claramente trazia uma sensação de conforto e nostalgia. — Isso é uma vantagem para mim, então. — Eu brinquei, sorrindo. — Talvez eu precise te ensinar a fazer um pão de queijo de verdade. Pode ser uma competição com a sua massa. Ele abriu os olhos, olhando-me de volta com um sorriso de desafio. — Competição? — Matteo riu. — Você está desafiando um italiano na cozinha? Eu acho que agora vou ter que aceitar a provocação. — Quem sabe? — Eu disse, inclinando a cabeça, com um olhar divertido. — Vai ser bom ver se você é tão bom na cozinha quanto diz ser. Ele colocou a massa na panela com um sorriso satisfeito, como se já soubesse que o prato estava prestes a ser perfeito, mas respondeu com um tom descontraído: — Então prepare-se, Stella. Vou ser imbatível. Mas, quem sabe, um dia eu te permita ganhar no pão de queijo. — Eu sou muito competitiva. — E teimosa. — Tirou a noite para me ofender mesmo? Ele apontou a colher de p*u que usava para mexer o molho para mim. — Estou constatando fatos. É tão teimosa que poderia ser uma italiana. — Nada disso. Apenas gostos de ser independente... E agora, bem, não tenho escolha se quiser que meu bebê fique bem. Enquanto ele mexia na panela, a conversa entre nós foi ficando mais tranquila, mas algo nos dois parecia ter mudado. A leveza, que até então preenchia o ambiente, começou a se dissipar um pouco quando a pergunta de Matteo veio inesperadamente. — Stella... — Ele começou, fazendo uma pausa enquanto cortava a massa. — Você tem família? Eu senti um nó na garganta antes mesmo de conseguir pensar em uma resposta. Olhei para ele, vendo a expressão curiosa, mas também um toque de preocupação nos olhos dele. Suspirando fundo, decidi que não havia mais razão para esconder a verdade. Talvez fosse a primeira vez em muito tempo que eu sentia que ele realmente queria saber. — Não... — Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia. — Nunca conheci meu pai. Não tenho irmãos. E minha mãe... ela faleceu de câncer no estômago há dois anos. Ele parou o que estava fazendo e se virou para me olhar com mais intensidade, os olhos azuis dele agora mais suaves, como se sentisse a dor por trás das palavras que eu acabara de dizer. — Sinto muito, Stella. Eu... — Ele hesitou, como se procurasse as palavras certas. — Deve ter sido muito difícil. Eu não posso imaginar o que é passar por isso sozinha. Eu me encostei na bancada, tentando não deixar que as lembranças dolorosas tomassem conta de mim. Ainda assim, a ausência da minha mãe parecia pesar mais em alguns momentos, e aquele era um deles. — Foi... — Respondi, tentando manter a voz firme, mas não consegui evitar que o tom saísse mais vulnerável do que eu queria. — Desde que ela morreu, tem sido só eu. Não tenho ninguém mais. A vida ficou estranha. Ele ficou em silêncio por um instante, me observando de uma maneira quase que protetora, como se fosse empático à dor que eu estava expressando. Matteo parecia ser o tipo de pessoa que não lidava bem com o sofrimento dos outros, mas algo em mim fazia ele querer oferecer um tipo de consolo, mesmo sem saber como. — Você não está sozinha, Stella. — Ele disse finalmente, e a suavidade de sua voz me pegou de surpresa. — Mesmo que eu não entenda exatamente o que você passou, sei o que é sentir falta de alguém que foi importante. Mas... mas... você tem minha amizade. E você pode contar comigo, seja para conversar ou para o que precisar. Eu olhei para ele por um momento, sentindo um aperto no peito. Era estranho ouvir essas palavras, especialmente vindo de alguém como ele, que parecia estar sempre tão distante e autocentrado. Mas naquele momento, ele parecia genuíno. Como se, de algum jeito, ele estivesse me oferecendo algo que eu não sabia que precisava: companhia. Eu respirei fundo, forçando um sorriso. — Obrigada, Matteo. Isso significa mais do que eu posso expressar agora. Ele me deu um sorriso pequeno e um aceno de cabeça, como se fosse algo simples para ele, mas na verdade, era um gesto que trazia conforto. E enquanto ele voltava a mexer na panela, um silêncio confortável se instaurou entre nós. Não precisávamos de mais palavras naquele momento.
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