Capítulo 5 — No Limiar da Lei

785 Words
(POV CAUÃ DELACRUZ) Minha casa no topo da Jaguatira é um grito de guerra contra a miséria lá embaixo. Enquanto o morro se esparrama em tijolo irregular e telha de amianto, minha fortaleza é feita de concreto bruto e vidro fumê. Um contraste brutal. Exatamente como a minha vida. Eu estava de pé diante da janela panorâmica, encarando o meu reino de vielas. Minhas calças estavam arriadas. Meus quadris se moviam em um ritmo lento, controlado, contra a mulher ajoelhada aos meus pés. Cravei meus dedos na nuca dela. Eu a mantinha ali com a mesma autoridade com que governo cada centímetro deste morro. Eu ouvia o estalo da boca dela. O som úmido, forte e aberto de sucção. Ela estava indo fundo demais, de propósito. Era um desafio disfarçado de submissão. Ela me encarava com os olhos fixos, uma das mãos se tocando, totalmente entregue ao ato. Não havia carinho no meu toque. Havia posse. Havia poder. A tensão culminou em um espasmo. Soltei um suspiro rouco enquanto ela se desfazia em prazer. — Pode ir — ordenei, curto e grosso. Subi as calças antes mesmo de ela se levantar do chão. Nem olhei para trás enquanto ela saía. Meus olhos voltaram para a janela. Para o meu domínio. Vesti minha camisa preta e desci para o andar inferior. Piso de porcelanato, sofá de couro italiano, televisão do tamanho de uma porta. Uma vitória oca. Meus homens estavam espalhados pela sala. Armas, pacotes de droga e pilhas de dinheiro disputavam espaço na mesa de centro. Era tudo o que eu tinha suado e sangrado para conseguir. Mas, no meio do caos, minha mente voou para Hannah. Pensei no cheiro de sabão em pó e feijão cozinhando da casa dela. No som dos filhos brincando — um barulho de vida, não de negócios. Eu conquistei o morro, mas perdi a única coisa que dava sentido a tudo isso: minha família. A guerra contra Sebastian King estava no horizonte como uma tempestade. Senti o gosto amargo da derrota no topo. O cheiro de café fresco se misturou com a brisa morna. Ouvi passos. Jonah entrou com um saco de pão na mão. — Bom dia — falei, firme. Jonah é mais que meu braço direito. É o único que sobrou desde que virei o dono da Jaguatira. Meu melhor amigo. Meu ex-cunhado. — Bom dia. Trouxe pão — ele respondeu com um sorriso contido. Fui para a cafeteira. Precisava do ritual. — Vou preparar o café. Vamos discutir a operação de hoje à noite. Jonah suspirou pesado. Ele achava que roubar o mafioso inglês era suicídio. — Ainda acho uma péssima ideia, irmão. O inglês já quer nosso território… Virei-me, encarando-o com convicção. — Exatamente por isso precisamos dessa carga. Armas e dinheiro para nos proteger. Vai dar certo, confia em mim. Jonah hesitou, mas estendeu o punho. Lealdade acima de tudo. — Eu confio, irmão. Sempre. Tamo junto. Bati meu punho no dele. — Até o fim. Mais tarde, me arrumei com cuidado para a festa da Hannah. Eu precisava vê-la, mesmo sabendo que o "não" era o mais provável. Ela foi meu primeiro e único amor. Ninguém me faz sentir o que ela faz. Olhei no espelho. Vi o reflexo de um homem jovem, com traços indígenas da minha mãe e latinos do meu pai. Cabelos negros cortados, pele morena, tatuagens que serviam para seduzir ou intimidar. Mulheres vinham de todos os cantos, mas meu coração só pertencia a ela. Desci as escadas. Jonah já me esperava. — Vamos! Rádio na cintura, uma Glock do outro lado. Proteção nunca é demais. Seguimos para a laje dela. Quando chegamos, o barulho da família me atingiu. Subimos e lá estava ela. Radiante. Hannah correu primeiro para o Jonah. O abraço foi terno. — Que bom que chegaram! Tem comida, entrem! Depois, ela se virou para mim. Hesitou. Eu não perdi tempo. Envolvi-a em um abraço firme. Senti o cheiro dela, o calor da pele. Meu peito apertou. — Oi, amor. Parabéns pelo emprego novo — sussurrei no ouvido dela. Ela estremeceu. O corpo dela ainda me conhecia. As mãos dela tocaram meu rosto, nos aproximando. Nossos corações batiam no mesmo ritmo. Colei meus lábios nos dela. Hannah resistiu por um segundo, mas relaxou logo depois. Foi um beijo intenso, carregado de anos de silêncio e desejo reprimido. Quando a soltei, ela estava ofegante. O olhar pegando fogo. — Isso não foi justo… me pegou desprevenida — ela sussurrou com a voz rouca. Cada palavra dela era uma faísca. Puxei-a para mais perto, sentindo o calor do corpo dela contra o meu. O instinto de proteger e o desejo puro se misturaram em um único impulso primitivo.
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