Serpente Narrando Quando ela perguntou quanto tempo tinha a criança, senti o chão sumir. A voz dela saiu firme, mas os olhos tremiam. Engoli seco e soltei baixo, quase num sussurro: — Dois meses. Vi a decepção atravessar o rosto dela como uma lâmina. Aqueles olhos apertados, marejados, que eu tanto amo, agora me olhavam com desprezo. Me senti o pior dos lixos humanos, um verme. O silêncio que veio depois foi pesado, sufocante. Ela me encarava, o peito subindo e descendo rápido, e quando abriu a boca de novo, o golpe veio seco: — Me responde… me traiu quantas vezes e com quantas mulheres? Respirei fundo, mas a garganta travou. — Foi um erro — falei baixo, sem coragem de encarar. — Foi só uma vez, a camisinha estourou. Ela riu de canto, uma risada sem graça, amarga. — Eu não chamo d

