Íris Narrando Hoje o plantão foi daqueles que drenam até a alma. Emergência cheia, corredor lotado, pacientes gritando de dor, familiares desesperados, e eu ali, tentando segurar o emocional no lugar. Quando terminou o expediente, meus pés já doíam, minha cabeça latejava e meu corpo pedia cama. Mas o coração, o coração me puxou pro quarto da Ariela. Eu não consigo encerrar o dia sem ver ela. É mais forte do que eu. Desde que ela se internou, eu prometi a mim mesma que não ia deixar ela sozinha. Quando abri a porta, ela tava acordada. Tão frágil, tão diferente da mulher cheia de energia que eu conheci, mas com aquele sorriso que ainda conseguia acender o quarto. — Olha só quem veio me visitar de novo, — ela disse, forçando um sorrisinho. Eu ri baixo, tentando esconder o nó na garganta

