Helena entrou no quarto em silêncio, como se o ar pudesse quebrar se ela respirasse fundo demais. Murilo dormia tranquilo no bercinho simples, o peito subindo e descendo num ritmo que ainda assustava, mesmo depois da alta. Ela ajeitou a manta com cuidado, passou a mão pelos cabelos finos do filho e ficou alguns segundos a mais do que precisava, observando aquele rosto pequeno que tinha sido sua âncora por dois anos. — Mamãe já volta — sussurrou, mesmo sabendo que ele não ouviria. Encostou a porta devagar, sem trancar. Não queria distância. Só precisava de alguns minutos de coragem. A casa parecia maior vazia. A sala simples, o sofá gasto, a mesa pequena. Tudo ali tinha sido conquistado com esforço, noites em claro, medo e determinação. Helena respirou fundo, sentiu o coração bater forte

