O sábado amanheceu silencioso na casa pequena de Helena. Não havia sirene, nem rádio alto, nem passos apressados na rua. Apenas o som leve da respiração de Murilo vindo do quarto ao lado, regular, tranquila, como se o mundo nunca tivesse sido um lugar perigoso. Helena acordou antes do despertador. Ficou alguns segundos deitada, olhando para o teto manchado de umidade, tentando entender se a noite anterior tinha sido real ou apenas um sonho pesado demais. A conversa. As lágrimas. O pedido de perdão. O olhar de Lúcifer quando descobriu o nome do filho. Tudo ainda pulsava dentro dela. Virou o rosto devagar e olhou para o berço. Murilo dormia de lado, abraçado à manta, o peito subindo e descendo num ritmo calmo. O rostinho já não estava quente. A febre tinha ido embora. Aquilo, por si só, já

