O Morro da Pedra Oca tinha um silêncio diferente. Não era silêncio de paz. Era o tipo de quietude que antecede coisa r**m, como se o próprio chão estivesse escutando. As casas amontoadas pareciam mais próximas umas das outras ali, as vielas mais estreitas, o ar mais pesado. No topo do morro, o barraco principal se destacava não pelo luxo, mas pela posição: de lá, dava para ver tudo. Quem subia, quem descia. Quem devia viver. Quem já estava morto, mesmo sem saber. Corvo estava sentado na cadeira de ferro, pernas abertas, cotovelos apoiados nos joelhos. O rádio desligado, a arma apoiada ao alcance da mão. O rosto duro, marcado pelo tempo e pela violência. Os olhos, porém, estavam atentos demais para parecer descanso. — Manda entrar — disse, sem levantar a voz. O vapor abriu a porta e d

