Eu nunca gostei de silêncio demais na minha casa. Silêncio demais sempre me lembrou ausência. Mas naquele dia, quando eu subi a última parte da ladeira depois de sair da boca, não foi o silêncio que me recebeu. Foi risada. Alta. Solta. Desajeitada. Eu parei antes mesmo de abrir o portão. Murilo. Eu reconheci na hora. Aquele riso pequeno, ainda meio enrolado, misturado com gritinho de quem está descobrindo o mundo. Eu fiquei imóvel por um segundo, só ouvindo. Helena estava falando alguma coisa entre risadas. — Chuta, meu amor! Chuta! A bola devia estar rolando pela grama, porque eu ouvi o som leve batendo na parede lateral. Meu peito fez uma coisa estranha. Eu nunca imaginei ouvir aquele tipo de som dentro da minha casa. Eu empurrei o portão devagar e entrei. O sol da tard

