O sol ainda não estava forte quando Helena decidiu que Murilo já merecia sair um pouco de casa. Depois de dias trancados entre paredes, remédio na hora certa, termômetro e noites m*l dormidas, ver o filho acordar sorrindo, pedindo água e batendo palminha para o desenho foi como respirar depois de um mergulho longo demais. O corpo dele ainda estava um pouco mole, mas os olhos brilhavam, curiosos, vivos, e aquilo bastou para ela decidir. A praia sempre foi um lugar onde Helena sentia que o mundo ficava mais silencioso por dentro. Não porque o mar fosse calmo — ele nunca era —, mas porque o barulho das ondas abafava o resto. Pensamentos, medos, lembranças. Tudo parecia menor perto daquela imensidão. Ela mandou mensagem para Ana quase sem pensar. Não queria ir sozinha. Não ainda. Ana respon

