Eu nunca fui homem de pensar demais depois de sair da boca. Normalmente eu resolvo, organizo, dou ordem e sigo. Mas naquele dia, enquanto descia a viela na moto depois de deixar a Marcela em casa, minha cabeça estava longe do movimento, longe do rádio, longe da contagem de dinheiro. Eu ainda sentia o gosto do café. Café simples. Forte. Sem açúcar demais. Pão com manteiga passado com cuidado, como se fosse coisa importante. Não tinha luxo. Não tinha mesa grande, nem cadeira cara, nem garrafa de uísque aberta. Era só uma casinha pequena, duas cadeiras e silêncio confortável. E, de alguma forma, foi um dos melhores cafés que eu já tomei. Eu já sentei em camarote com dono de empresa, já fiz reunião com político que finge que não conhece a gente, já bebi coisa cara enquanto resolvia carga m

