Jéssica chegou em casa quando a madrugada já escorria silenciosa pelas ruas. A casa era pequena, mas organizada do jeito que ela gostava: paredes claras, um sofá simples encostado na parede, a mesa de madeira com uma toalha desbotada e o cheiro permanente de café velho misturado com desinfetante barato. Fechou a porta com cuidado, girando a chave duas vezes, hábito antigo de quem nunca confiou demais no mundo. Tirou a bolsa do ombro e foi direto para o quarto. A luz fraca do abajur revelou a cama arrumada, o lençol esticado com capricho quase automático. Sentou-se na beira do colchão e abriu a bolsa. O dinheiro estava ali, dobrado com precisão. Contou nota por nota, sem pressa, como se aquele gesto fosse um ritual de sobrevivência. Depois, abriu a gaveta mais baixa do guarda-roupa, afasto

