Marcela acordou antes mesmo de o sol invadir a pequena janela da casinha verde. Por alguns segundos ficou deitada, encarando o teto simples, tentando se situar. Não estava mais na Pedra Oca. Não estava mais no quarto onde dormia com o coração apertado, esperando ouvir passos na viela. Estava no Coroa n***a. E estava inteira. Sentou devagar na cama, sentindo o corpo ainda pesado do cansaço acumulado. Levou a mão ao pescoço por reflexo. As marcas ainda estavam ali, roxas, desenhando o contorno dos dedos que ela queria esquecer. Doíam menos do que no dia anterior, mas eram lembrança viva do motivo que a trouxe até ali. Ela se levantou e foi até o banheiro. Abriu o chuveiro e deixou a água cair sobre o corpo. Era simples, só sabonete, sem shampoo. Não lavou o cabelo — precisava economizar o

