O céu começava a ganhar aquele tom dourado que antecede a noite quando Sombra estacionou a moto em frente à casinha de Marcela. A viela estava tranquila, só o som distante de uma televisão ligada e duas crianças correndo mais abaixo. Ao fundo, um funk tocava, junto com algumas risadas. Ela desceu primeiro, segurando a barra da camiseta dele que ainda vestia. — Eu não posso ir pro churrasco vestida assim — ela disse, rindo leve. — Vão achar que eu fui sequestrada da sua casa. Sombra tirou o capacete devagar e apoiou no guidão. — Tu fica mais linda com a minha camiseta do que com muita roupa cara por aí. Eu prefiro. Ela virou o rosto para ele, um sorriso quase tímido escapando. — Você fala isso porque é sua. — Falo porque é verdade. Ela abriu a porta da casa e entrou. Ele foi atrás,

