Eu esperei a casa ficar quieta de verdade. Não aquele silêncio falso de quando o morro ainda tá acordado e a gente ouve moto subindo, rádio chamando, gente conversando na esquina. Esperei o silêncio de noite mesmo, quando as luzes lá fora diminuem e o vento bate mais frio no alto do Coroa n***a. Eu sabia que a Marcela estava apagada no meu quarto, dormindo pesado, daquele jeito que o corpo desliga porque finalmente acredita que pode. Eu sentei no sofá com o celular na mão e fiquei encarando a tela por alguns segundos antes de ligar. Eu não gosto de pedir ajuda. Nem de dividir problema. Eu sempre fui o cara que resolve, que segura, que dá a cara e pronto. Mas aquilo não era só problema de rua. Era alguém. E isso muda as regras. Eu disquei pro Lúcifer. Chamou uma vez. Duas. Ele atende

