A casa estava silenciosa demais naquela noite. Não o silêncio tranquilo, mas aquele que pesa, que encosta na pele e não deixa respirar direito. Lucifer estava sentado na beira da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, encarando o chão como se ali tivesse alguma resposta que nunca vinha. Alguns dias tinham passado desde o baile, mas a imagem de Helena ainda insistia em aparecer sem pedir permissão. O jeito dela saindo às pressas, o olhar cansado, o corpo tenso como se estivesse sempre pronta para fugir. Aquilo o irritava. Não ela — o efeito que ela ainda tinha nele. Ele passou a mão pelo rosto, impaciente, e puxou o celular. Não queria pensar. Não naquela noite. Mandou a mensagem curta, direta, sem rodeio. Minutos depois, a resposta veio. Sempre vinha. Murilo não se orgulhava daquilo.

