O barraco principal da boca estava abafado. Não era só o calor. Era o clima. Um silêncio espesso, pesado, que parecia grudar na pele. Do lado de fora, o morro seguia vivo — rádio chiando, passos apressados, motos subindo e descendo, vozes misturadas. Mas ali dentro, o tempo parecia parado. Lucifer estava sentado na cadeira de madeira velha, a mesma de sempre. A cadeira rangia quando ele se mexia, mas ele quase não se mexia mais. Cotovelos apoiados nos joelhos, mãos entrelaçadas, olhar fixo no chão de cimento rachado. O baseado apagado descansava entre os dedos. Ele não tinha fumado ainda. Não por falta de vontade. Por cansaço mesmo. Até a maco.nha parecia pouco pra anestesiar o que estava dentro dele. A porta de madeira abriu com força. — Tu vai faltar de novo? A voz entrou dura, se

