O quarto do hospital estava silencioso demais quando Helena finalmente ficou sozinha com Murilo. O movimento intenso do começo da tarde tinha diminuído, os passos no corredor eram mais espaçados, e o som constante do monitor já não parecia um aviso de perigo, mas um lembrete de que o pior tinha passado. Murilo dormia tranquilo, o rosto ainda um pouco pálido, mas sem febre, a respiração regular, pequena, perfeita demais para tudo o que tinha enfrentado. Helena sentou-se ao lado da cama, segurando a mãozinha dele com cuidado, como se tivesse medo de quebrá-lo. O cansaço veio de uma vez só, pesado, esmagador. O corpo doía, a cabeça latejava, mas o coração estava estranhamente calmo. Pela primeira vez em dias, ela conseguiu respirar sem sentir que algo ia dar errado no segundo seguinte. O mé

