O cheiro de café espalhava-se pela cozinha simples da casa de Sombra quando Marcela apareceu na porta, ainda ajeitando o cabelo úmido com os dedos. Ela tinha tomado banho rápido, usando o sabonete que encontrou no banheiro dele, e vestia uma camiseta preta larga e uma cueca dele que ficava folgada nas pernas, quase como um short improvisado. Os cabelos loiros, ainda úmidos, desciam pelas costas. O rosto parecia mais descansado do que na noite anterior, mas os olhos ainda carregavam resquícios do medo. Sombra estava de costas para ela, mexendo uma frigideira no fogão. — Eu avisei que sabia fazer café — ele disse sem virar, percebendo a presença dela pelo barulho leve dos passos. Marcela encostou no batente da porta, cruzando os braços. — Se isso aí for café mesmo. Ele virou o rosto de

