Cobra entrou no quarto com passos firmes, mas sem a arrogância de sempre. A porta se fechou atrás dele com um clique baixo, quase respeitoso demais para alguém como ele. O ambiente era pequeno, branco demais, silencioso demais. O som constante do monitor cardíaco de Murilo preenchia tudo, marcando um tempo que parecia mais lento ali dentro. Os olhos de Cobra foram direto para a cama infantil. Murilo dormia, o peito subindo e descendo com mais regularidade agora, a pele ainda pálida, mas sem o brilho febril que tinha horas antes. Só então ele respirou fundo, como se tivesse segurado o ar desde que entrou naquele hospital. — Ele tá bem? — perguntou, a voz grave, contida. Helena ergueu o rosto devagar. O choro tinha secado, mas os olhos ainda estavam vermelhos, fundos, cansados demais para

