Marcela entrou no apartamento às duas da tarde, como fazia toda semana. O prédio era alto, portaria com vidro espelhado, cheiro de produto caro no hall. Ela já conhecia o caminho até o elevador, já sabia o número do andar decorado com plantas artificiais e quadros minimalistas demais para parecerem casa de alguém que realmente vive ali. Assim que entrou no apartamento, fechou a porta atrás de si e foi direto para o banheiro de serviço. Tirou a regata que usava e ficou só de sutiã por alguns segundos, respirando fundo. O calor ali dentro era diferente do morro — abafado, pesado, cheiro de produto de limpeza misturado com perfume doce demais da dona da casa. Pegou a camiseta de Sombra e vestiu por cima do sutiã. A camisa ficou larga, quase cobrindo o quadril. O tecido tinha cheiro dele — l

