Eu desci do mototáxi com o coração acelerado. Já passava das 17h20 quando parei em frente à minha casa. O céu da Babilônia começava a ganhar aquele tom alaranjado de fim de tarde, e o vento trazia cheiro de comida feita nas casas ao redor. Paguei o mototaxista, ajeitei a bolsa no ombro e caminhei até o portão. Antes mesmo de girar a chave, ouvi risada. Aquela risada pequena, alta, inconfundível. Meu peito amoleceu. Abri a porta devagar — e foi só o tempo de Murilo me ver. Ele veio correndo daquele jeito tortinho de sempre, perninhas rápidas demais para o próprio equilíbrio, quase caindo no meio do caminho. — Mamã! — saiu embolado, mas cheio de alegria. Eu larguei a bolsa no chão e me abaixei, abrindo os braços. Ele praticamente se jogou no meu colo, me abraçando pelo pescoço com for

