HELENA - CONTAR OU NÃO CONTAR

1203 Words

O quarto era pequeno, iluminado por uma luz branca demais para um lugar onde alguém tentava respirar em meio ao caos. O cheiro de álcool hospitalar misturava com o de medo, aquele medo antigo que Helena conhecia bem, que se alojava no peito e não saía nem com reza. Murilo dormia na maca, frágil demais para o tamanho da confusão que girava ao redor da existência dele. O peito subia e descia num ritmo controlado pelas máquinas, e cada bip parecia um lembrete c***l de que nada estava realmente sob controle. Helena estava sentada numa cadeira de plástico encostada na parede, o corpo curvado, os braços abraçando a si mesma como se tentasse impedir que tudo desmoronasse de vez. O choro não veio bonito, nem contido. Veio quebrado, silencioso no começo, depois pesado, soluçando, daqueles que doem

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