Cobra não esperou nem cinco minutos depois de sair do postinho para ligar. O celular tremia na mão enquanto ele caminhava até o estacionamento, o sol forte batendo no asfalto quente. Quando o nome de Ana apareceu na tela, ele atendeu na hora. — Deu certo — disse direto, sem rodeio. — A doação rolou. Podem trazer o Murilo agora pro postinho. Do outro lado da linha, o silêncio durou um segundo inteiro, pesado demais para ser normal. Depois, a voz de Ana saiu trêmula. — Você… você tem certeza? — Absoluta — Cobra respondeu. — Já falei com o médico. Pode vir. Quanto antes, melhor. Ana não conseguiu responder de imediato. Helena, que estava ao lado dela, ouviu tudo. O rosto dela empalideceu ainda mais quando Ana desligou. — É agora — Ana disse, tentando soar firme. — Vamos levar ele. Hele

