SOMBRA - REFUGIADA

1666 Words

A sala da boca do Coroa n***a era simples, mas carregava um peso que não vinha de luxo — vinha de decisão. Uma mesa de madeira marcada pelo tempo, duas cadeiras tortas, rádio chiando baixo no canto e o cheiro de fumaça impregnado nas paredes. Do lado de fora, a noite seguia viva: passos nas vielas, moto subindo, música distante. Ali dentro, porém, era outro mundo. Ali dentro, Sombra era a lei. Marcela entrou devagar, sem fazer barulho. Parecia menor do que realmente era. Não pela altura — um metro e sessenta — mas pelo jeito de se encolher, como se esperasse que alguém gritasse com ela a qualquer momento. O cabelo loiro e ondulado caía sobre os ombros, e os olhos verdes, bonitos demais, estavam inchados de chorar. A blusa simples escondia o corpo “no padrão” que tanto chamava atenção no m

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