Eu odeio ser ignorado. Não é só sobre resposta de mensagem. É sobre poder. Eu mando, e obedecem. Sempre foi assim no Pedra Oca. Acordei com o celular na mão, antes mesmo de abrir os dois olhos direito. A primeira coisa que fiz foi olhar a tela. Nenhuma notificação dela. Nenhuma mensagem visualizada. Nada. Nada. Dias. Dias sem sinal da Marcela. Eu sentei na beirada da cama e passei a mão pelo rosto, sentindo o sangue esquentar devagar. Não é explosão imediata. Eu não sou moleque que grita na primeira frustração. Eu sou o tipo que mastiga a raiva até virar decisão. Ela leu. Eu sei que leu. Mulher pode fingir que não viu, mas sente quando o nome aparece na tela. E ela escolheu não responder. Escolheu me desafiar. Eu levantei, joguei a cortina pro lado e olhei o morro lá embaixo.

