Tem coisas que a gente não conta porque dói demais. E tem coisas que a gente não conta porque ninguém acreditaria. Eu carreguei essa história sozinha por muito tempo. Engoli o medo, a culpa e a dor como se fossem castigo. Talvez fossem mesmo. Tudo começou num dia comum. Simples demais pra virar um inferno. Eu estava no quarto pequeno da casa da minha avó, mexendo no celular, quando uma mensagem apareceu na tela. Número desconhecido. Sem foto. Sem nome. “Você ama sua vó?” Meu coração gelou. Na hora, pensei que fosse brincadeira. Gente sem o que fazer. Ignorei. Mas o celular vibrou de novo. “Ela está internada no posto do Morro do Coroa Negra.” Eu senti minhas pernas falharem. Minha avó estava doente, sim. Pressão alta. Coração fraco. Mas só quem era da família sabia que ela estava

