Lúcifer saiu do postinho com a chave girando entre os dedos e uma sensação estranha no peito — uma mistura de ansiedade e leveza. Algo que ele não sentia a muito tempo. Caminhou até a creche com passos firmes, mas o coração estava longe do ritmo habitual de quem comandava um morro inteiro. Ali, naquela parte da Babilônia, ele era só um homem indo buscar o filho. O portãozinho colorido da creche estava aberto. Crianças pequenas brincavam no pátio, algumas sentadas no chão com brinquedos de plástico, outras tentando correr com pernas ainda desajeitadas. Lúcifer ficou parado por um segundo, observando até encontrar o que procurava. Murilo estava perto do muro, segurando uma bola quase maior que ele. Quando os olhos pequenos encontraram os dele, foi como se uma lâmpada tivesse acendido. — P

