O Morro do Coroa n***a nunca dormia de verdade. Mesmo quando o sol ainda estava alto, havia sempre alguém passando informação no rádio, vapores subindo e descendo vielas, o dinheiro circulando, a engrenagem girando do jeito que sempre girou. Quando Lúcifer voltou, o morro pareceu reconhecê-lo antes mesmo de ele falar qualquer coisa. Cabeças se viraram, cumprimentos baixos foram feitos, respeito automático. O chefe estava de volta. Mas por dentro, ele não era o mesmo homem que tinha saído no outro dia. Lúcifer caminhou direto para o barraco principal da boca, ignorando convites, perguntas, qualquer tentativa de conversa no caminho. A cabeça estava cheia demais. O peito, mais ainda. Sentou-se na cadeira de sempre, aquela de madeira velha encostada na parede, e ficou alguns segundos ali, p

